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Jornal francês relativiza peso da imigração no mercado de trabalho

Agência France-Presse
postado em 26/04/2011 11:01
Paris - A imigração não afeta o mercado de trabalho nem as contas sociais, afirma o jornal econômico francês Les Echos, em pleno debate sobre a chegada de tunisianos à Europa, essencialmente Itália e França, países que reclamam a revisão da convenção de Schengen.

"Ao contrário do que se acredita, a imigração não explode na França e não influencia nas contas sociais. Reduzir a imigração legal tampouco reduziria o desemprego, pois os imigrantes aceitam os empregos mal pagos e precários que os desempregados franceses evitam", afirma um relatório elaborado pelo jornal.

A cada ano a França recebe entre 150.000 e 200.000 imigrantes não comunitários, destaca o Les Echos.

"Mas a cada ano 100.000 pessoas abandonam o país entre imigrantes que retornam a seus países ou franceses que se instalam no exterior", acrescenta o jornal, antes de ressaltar que Noruega, Espanha ou Itália têm uma proporção de imigrantes duas ou três vezes superior a da França.

"A França figura entre os países europeus com menor taxa de imigração", afirma Georges Lema;tre, economista especializado em imigração da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

Segundo os economistas Claude Minni e Didier Gelot, "com a crise, os imigrantes serviram de amortecedores para o conjunto do mercado trabalhistas, permitindo aos franceses permanecer em uma posição relativamente mais favorável".

A França tem índice de desemprego de 9,6%, com 2,7 milhões de pessoas sem emprego, ou quatro milhões caso sejam considerados aqueles que exerceram atividade reduzida.

O debate sobre o desembarque de tunisianos à Itália - 25.800 desde a queda em janeiro do presidente Zine El Abidine Ben Ali -, a maioria deles com a intenção declarada de seguir para a França, provocou uma tensão entre os dois país, poucos dias antes da reunião de terça-feira entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Os dois estudam pedir a revisão da Convenção de Schengen, segundo a qual uma pessoa autorizada a entrar em um dos países da União Europeia pode viajar para os outros Estados do bloco.

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