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Estado de Minas

Partido Republicano começa campanha pela Casa Branca na eleição de 2012


postado em 17/07/2011 08:00

(foto: REUTERS/Allen Fredrickson)
(foto: REUTERS/Allen Fredrickson)
Ainda faltam 16 meses, mas as apostas já estão lançadas na disputa pela Casa Branca, em novembro de 2012. Como um dos candidatos — o presidente Barack Obama — tem o nome garantido na cédula, a campanha começou cedo. O Partido Republicano, de oposição, começa a respirar o clima das primárias com sete pré-candidatos confirmados e uma lista de reservas de peso. Por enquanto, na ausência de um nome forte o suficiente para se impor, todos disputam as atenções dos eleitores e usam como estratégia os valores conservadores e as críticas ao atual governo. De acordo com os especialistas ouvidos pelo Correio, resta saber se eles terão cartas na manga em quantidade suficiente para derrotar um grande jogador.

Entre veteranos na política, conhecidos governadores, religiosos fervorosos, o ex-proprietário de uma rede de pizzas e duas mães de cinco filhos, os republicanos correm atrás de apoio para enfrentar Obama. Em poucos meses de campanha, a maioria aposta nas mesmas promessas para conquistar a indicação do partido: reestruturação da economia e geração de empregos. Os concorrentes têm um longo caminho até o início das primárias, em janeiro, e alguns devem desistir no meio da jornada. O objetivo é sobreviver até a Superterça, quando vários estados realizam as prévias e a disputa tende se afunilar para dois ou três pretendentes.

Para Mark P. Jones, professor de ciência política na Universidade de Rice, muitos republicanos estão insatisfeitos com o quadro atual de pré-candidatos. Até agora, Barack Obama não parece ter um adversário à altura. “Diversas campanhas já sofreram sérias falhas. Quase toda a equipe do ex-presidente da Câmara Newt Gingrich já renunciou. O ex-governador de Minnesota Tim Pawlenty parece estar caindo, e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney tem problemas para explicar a implementação do sistema de saúde em sua gestão, ao mesmo tempo em que critica o plano de saúde de Obama. Em termos de arrecadação de dinheiro, apenas Romney parece ter tido sucesso, ainda que modesto”, explica o especialista.

Neste começo de disputa, alguns nomes já ganharam destaque na mídia, mas não conseguiram conquistar muitos eleitores. “Por enquanto, a campanha tem falhado em gerar agitação tanto dos eleitores republicanos quanto do público em geral. Mitt Romney está na liderança, porém mais por ausência (de rivais), por conta do fraco panorama. Michele Bachmann tem conseguido algum entusiasmo da ala direita do partido, mas tem chances remotas de ganhar o apoio necessário para conquistar a indicação”, afirma Alan Litchman, professor de história da Universidade Americana, em Washington.

As atenções devem estar ao redor de Romney, que, em algumas pesquisas, conseguiu empatar com Obama. Para os especialistas, no entanto, ainda é muito cedo para tirar conclusões. “Falta muito para as eleições e a campanha é confusa. O grande rival de Romney é o governador do Texas, Rick Perry, que ainda não entrou na corrida, mas parece que deve fazer o anúncio até o fim do mês. Outros candidatos que representam desafios para ele são Tim Pawlenty e Michele Bachmann. Ela não é a candidata mais viável, por ter posições mais conservadoras, mas tem um grande suporte da força dominante dentro do eleitorado mobilizado para as primárias”, comenta Jones. Segundo o professor da Universidade Rice, os pré-candidatos Gingrich, Gary Johnson, Ron Paul, Herman Cain e Rick Santorum não têm chances reais de ir além da Superterça.

Musas da direita
Novata no cenário republicano, Michele Bachmann ganhou comparações com Sarah Palin, a ex-governadora do Alasca que causou sensação como candidata a vice, em 2008. Em comum, as duas são mães de cinco filhos e têm ideias ultraconservadoras. Porém, a deputada parece lidar melhor com as críticas. Recentemente, o jornal The Washington Post revelou que o marido de Bachmann, Marcus, havia chamado os homossexuais de “bárbaros que precisam ser educados e disciplinados”. Quando foi questionada sobre sua posição, ela preferiu não causar mais polêmica. “Estou concorrendo à Presidência dos EUA, não sou candidata a ser juíza de ninguém”, disse durante um evento de campanha.

Os ataques a Obama são uma constante no discurso dos pré-candidatos e devem marcar o resto da eleição. “A estratégia claramente será essa. Os republicanos esperam ganhar em 2012 da mesma forma como ganharam as eleições legislativas em 2010, capitalizando o descontentamento com o status quo. Até agora, eles não ofereceram nenhuma solução para os problemas da nação”, aponta Litchman. O foco das eleições deve ser a situação econômica. “Os ataques ficaram em torno da economia, com uma ênfase particular nos níveis históricos de desemprego. A reforma da saúde e o deficit fiscal também devem fazer parte do debate”, completa Jones.

O grande mistério da campanha republicana é Sarah Palin. A ex-governadora do Alasca, que deixou o cargo em 2009, em meio a denúncias de abuso de poder, parece estar em constante campanha, apesar de não ter oficialmente lançado a pré-candidatura. Depois de se aventurar em um reality show sobre sua família, ela agora faz turnê pelo país “para conhecer o povo”. “Existe a possibilidade de que ela não se candidate. Ela compete com Bachmann pelo apoio do eleitorado mais conservador e suas porcentagens na pesquisa são negativas, mesmo entre os republicanos”, afirma o professor da Universidade Americana.

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