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Islamitas do Ennahda afirmam ter vencido eleições na Tunísia

Agência France-Presse
postado em 24/10/2011 17:50
TÚNIS - O partido islâmico Ennahda assegurou nesta segunda-feira (24) que lidera a apuração das primeiras eleições tunisianas desde a queda do regime de Ben Ali, em janeiro, embora os resultados oficiais só sejam anunciados na terça-feira. O Ennahda estima ter obtido "mais de 25, 30%" dos votos nas eleições realizadas domingo na Tunísia, declarou Abdelhamid Jlasi, diretor do escritório executivo do partido.

Antes, este mesmo dirigente havia considerado que sua formação havia obtido "pelo menos 60 assentos" da futura Assembleia Constituinte de 217 membros que redigirá uma nova Constituição e designará um governo provisório que governará até as próximas eleições gerais. "Queremos tranquilizar nossos sócios econômicos e comerciais e todos os investidores. Esperamos voltar rapidamente a uma situação estável com condições favoráveis para os investimentos", afirmou Jlasi à imprensa. "Tentaremos formar uma aliança política estável na Assembleia Constituinte", considerou.

[SAIBAMAIS]O Ettakatol (esquerda) e o Congresso pela República (CPR, esquerda nacionalista) disputam o segundo lugar, segundo estimativas fornecidas por esses partidas à AFP. "Está claro que o Ennahda supera todos na grande maioria das circunscrições", reconheceu Adel Chaouch, membro do gabinete político do partido Ettajdid (esquerda). "O questão agora é saber quem ocupará o segundo e o terceiro lugares", disse à AFP.

Um líder do PDP, de centro-esquerda, também admitiu sua derrota. "As tendências são muito claras. O resultado do PDP não é bom. O povo tunisiano decidiu. Inclino-me perante sua decisão e felicito os que obtiveram sua aprovação", declarou à AFP a secretária-geral do PDP, Maya Jribi.

Os analistas previam que o Ennahda seria o partido mais votado na eleição para a Assembleia Constituinte de 217 membros que redigirá uma nova Constituição e designará um governo provisório, responsável por governar até as próximas eleições gerais. Os resultados definitivos serão conhecidos na terça-feira. "Estamos tranquilos. Já esperamos 50 anos, podemos esperar mais 24 horas", declarou sorridente Houcine, entrevistado na manhã desta segunda-feira no centro da cidade de Túnis.

A imprensa tunisiana saudou nesta segunda-feira "a vitória da democracia". "Foram vocês que protagonizaram a primavera da democracia árabe", escreveu o semanário em árabe Assabah. Por sua vez, o jornal Al Chourouk estimou que a ;grande vencedora; das eleições foi a "Tunísia". "Por fim livres", escreveu o editorialista do semanário Tunis Hebdo. Para Sofiene Ben Fahrat, jornalista e escritor, "o povo tunisiano (...) esteve à altura do momento histórico".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, felicitou a Tunísia nesta segunda-feira "pela maneira pacífica e ordenada na qual se desenvolveu a histórica eleição de uma Assembleia Constituinte".

Os tunisianos votaram em massa no domingo nas primeiras eleições livres da história do país para eleger uma assembleia constituinte e virar para sempre a página da era de Zine El Abidine Ben Ali, deposto em janeiro por uma revolução popular após 23 anos no poder.

O dia transcorreu sem incidentes e em calma.

Londres e Bruxelas saudaram a celebração destas eleições e o presidente americano, Barack Obama, felicitou os tunisianos pelo que considerou "um importante passo à frente".

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