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Estado de Minas

Autoridades italianas confirmam que líquido escuro vazou do Costa Concordia

Ministro do Meio Ambiente admite decretar estado de emergência ante o risco de combustível vazar do navio Costa Concordia, e prefeito teme um desastre. Capitão realizou manobra para homenagear tripulantes. Equipes ainda buscam 29 passageiros


postado em 17/01/2012 08:00

O naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, na última sexta-feira, ganhou ontem contornos ainda mais dramáticos. Enquanto buscavam 29 desaparecidos, as autoridades italianas confirmaram que um líquido escuro não identificado estava vazando da embarcação. As quase 2,4 mil toneladas de combustível do navio poderiam contaminar a região, um santuário de espécies marinhas. Duas empresas de segurança instalaram barreiras de contenção para evitar o derramamento de óleo, mas a medida pode ser insuficiente.

“Temos uma bomba ecológica no interior do transatlântico naufragado”, declarou à agência France-Presse Sergio Ortelli, prefeito da ilha de Giglio, que admitiu temer um acidente ambiental de proporções devastadoras. O ministro do Meio Ambiente, Corrado Clini, disse que decretaria “estado de emergência”. A medida aceleraria a liberação de recursos para ajudar a conter um desastre ambiental. Ontem, a Costa Cruzeiros, dona do navio, acusou o capitão de ter se desviado da rota sem autorização. A manobra teria sido feita porque o oficial queria homenagear dois dos tripulantes.

O mau tempo prejudica as buscas. Durante três horas, a chuva e o mar agitado impediram que os técnicos da Guarda Costeira vasculhassem os corredores da embarcação. “É muito complicado o que fazemos. Trabalhamos sempre em dupla, com dois mergulhadores ligados um ao outro por uma corda para evitar ferimentos com os objetos dispersos no navio”, explicou Rodolfo Raiteri, coordenador das operações submarinas. Cada mergulho tem duração de até uma hora, durante a qual os profissionais são submetidos a uma temperatura de 12°C. Ontem, a equipe encontrou um sexto corpo.

O Costa Concordia está apoiado em rochas, a 30m de profundidade. Caso o mar fique muito agitado, pode empurrar o navio para um vão de 70m, o que dificultaria a busca por vítimas e a contenção de uma possível vazamento de combustível. “É um óleo denso, pesado, que poderia se sedimentar no fundo, o que seria um desastre”, reconheceu Clini. Moacyr Duarte, coordenador do Grupo de Análise de Risco e Tecnologia Ambiental da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que ainda existe o risco de incêndio. “No momento, a prioridade é retirar as pessoas de lá. Mas há muitas outras questões: o combustível, os dejetos, o resto de comida que pode apodrecer nos aposentos submersos”, enumera o especialista. A Costa Cruzeiros previu prejuízos imediatos de até US$ 95 milhões com o acidente. A conta não inclui eventuais ações de indenização por danos morais e materiais.

“Reverência”

A companhia voltou a culpar o capitão Francesco Schettino. “Ele realizou uma manobra que não tinha sido aprovada por nós”, criticou o presidente da Costa Cruzeiros, Pier Luigi Foschi. A manobra teria sido motivada pela vontade de homenagear um capitão aposentado da Costa Cruzeiros e o chefe dos garçons, naturais da ilha de Giglio. A tese é apoiada em uma publicação da irmã do maître Antonello em sua conta no site de relacionamentos Facebook. Patrizia Tievoli teria avisado aos amigos que o navio passaria perto da ilha naquela noite. A aproximação seria um hábito entre os capitães que passam pela região, como um ato de “reverência”.

O capitão Malcolm Parrott, diretor da consultoria internacional The Maritime Group, refuta essa possibilidade. “Não sabemos se foi isso que o capitão do navio fez, mas, se foi, ele não agiu com cautela”, disse ao Correio. “Essa não é uma conduta normal. Algumas vezes, você saúda embarcações que cruzam com a sua, mas, mesmo assim, mantém uma distância segura”, explicou. O presidente da Costa Cruzeiros destacou que o capitão parece não ter abandonado o navio, como sugeriram os relatos de sobreviventes. “Testemunhas confiáveis comprovaram que ele que ficou a bordo muito tempo”, apontou Foschi. O capitão e seu assistente permanecem detidos.

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