Agência France-Presse
postado em 16/03/2012 13:44
Atenas - O Pasok, em forte queda nas pesquisas, deve eleger neste domingo (18/3) o atual ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, para suceder a Georges Papandreu na liderança do partido socialista grego. Com o país em plena recessão e com um futuro econômico mais que incerto, Venizelos considera que a eleição do novo dirigente deve ser uma oportunidade para o partido se unir e se aproximar do povo, antes das eleições legislativas antecipadas que, segundo ele, acontecerão "em seis ou sete semanas", entre o final de abril e o começo de maio.Único candidato à direção do Pasok, Venizelos - que foi fundamental no processo de reestruturação da dívida pública grega - tem prometido uma linha centro-esquerda renovada. Durante uma coletiva de imprensa oferecida nesta sexta-feira, Venizelos afirmou que "o objetivo final é a vitória do partido nas eleições, assim como a renovação radical a favor de um Pasok patriótico e radical" após dois anos de crise econômica e planos de rigor, que têm desgastado fortemente a formação do partido.
Evangelos Venizelos, de 55 anos e professor de direito constitucional, assumirá as rédias do Pasok no pior momento do partido desde sua fundação, em 1974, de acordo com as pesquisas, que indicam 11% de intenção de voto. A indignação dos eleitores pelos cortes salariais e pelos aumentos de impostos tem provocado a deserção de aproximadamente trinta deputados do grupo parlamentar socialista nos dois últimos anos. Nesse panorama, Venizelos acredita que o fundamental é "reconstruir" o partido e transmitir calma ao eleitorado ante a disparada do desemprego, que já é superior a 20%.
"Agradeço ao povo grego por seus sacrifícios e sua tolerância, e digo isso do fundo do meu coração", afirmou Venizelos, que abandonará seu posto de ministro das Finanças após ser eleito no domingo novo líder do Pasok.
O dirigente pediu desculpas pelos possíveis erros na política de rigor aplicada em troca dos resgates financeiros, mas disse que essa ajuda é a única saída para a crise. Por isso, Venizelos descarta qualquer aliança com os partidos de esquerda, opostos às medidas de rigor, que não param de ganhar pontos nas sondagens, refletindo o descontentamento social.
Os dois grandes partidos gregos, o Pasok e o conservador Nova Democracia, ambos sócios de um governo de coalizão formado em novembro, reúnem juntos entre 27 e 36% das intenções de voto, segundo as duas últimas sondagens. Apesar de a eleição do líder do Pasok no domingo não possuir nenhuma intriga interna, ela marcará o final da influência de uma das grandes dinastias políticas gregas, a dos Papandreu, segundo analistas.
Venizelos será o quarto líder deste partido, criado por Andreas, pai de Georges Papandreu, primeiro-ministro entre outubro de 2009 e novembro de 2011.