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Candidato da esquerda dispara nas pesquisas na França e ameaça Sarkozy

Um país em crise econômica, um presidente impopular e um candidato bom de palanque: com esses ingredientes, a esquerda francesa parece não apenas próxima de voltar ao poder, depois de três derrotas seguidas em eleições presidenciais. Pela primeira vez desde que François Mitterrand conquistou o Palácio do Eliseu, em 1981, o Partido Socialista (PS) olha para o primeiro turno, marcado para dentro de duas semanas, com duas certezas: a de que irá ao segundo turno, em 6 de maio, e a de que receberá um aporte considerável de votos vindos mais da esquerda, votos que faltaram nas duas vitórias do direitista Jacques Chirac (1995 e 2002) e na do atual presidente, Nicolas Sarkozy, em 2007.

A diferença, neste ano, é que o candidato do PS, favorito para destronar Sarkozy, não é a estrela da eleição, não é o nome que resgatou e encarnou o charme histórico de ser gauche (esquerda) na França. François Hollande, que as pesquisas e boa parte dos analistas consideram em marcha para assumir o comando do país, não mobiliza a militância nem eletriza os eleitores. Esse papel, hoje, cabe a Jean-Luc Mélenchon, o nome lançado pela Frente de Esquerda (FG, sigla em francês para Front de Gauche). Orador inspirado, ele deixou para trás a ;síndrome de um dígito; que afligia há duas décadas o autêntico mosaico em que se transformara o espectro político à esquerda do PS.