Agência France-Presse
postado em 01/05/2012 17:49
Bogotá - Um grupo de jornalistas colombianos recebeu nesta terça-feira uma ligação de uma suposta guerrilha afirmando que as Farc têm em seu poder o repórter francês Romeo Langlois como "prisioneiro de guerra", informou a emissora Caracol. A informação não pôde ser confirmada."Uma mulher que se identificou como integrante da Frente 15 (das Farc) nos disse o seguinte: temos o jornalista francês em nosso poder, estamos prestando cuidados médicos", informou a emissora.
"Acabamos de declará-lo como prisioneiro de guerra devido ao fato de ter sido encontrado usando roupas militares", afirmou o comunicado lido pela suposta rebelde, de acordo com a informação da Caracol.
A suposta guerrilha também confirmou que Langlois levou um tiro no braço, mas disse que ele está bem.
O grupo de jornalistas estava nos arredores de Unión Peneya, uma região do departamento de Caquetá (cerca de 600 km ao sul de Bogotá), onde o jornalista desapareceu no sábado em meio a um combate entre uma patrulha do Exército, que ele acompanhava para fazer uma reportagem, e guerrilheiros das Farc.
O governo colombiano não confirmou que Langlois está em mãos das Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc), apesar de o presidente Juan Manuel Santos ter dito que há "claros indícios" disso.
As Farc não publicaram um comunicado nos sites que costuma utilizar.
Durante o combate, Romeo Langlois foi ferido no braço esquerdo e decidiu tirar a jaqueta e o capacete militar que usava, afastar-se da patrulha e se dirigir aos guerrilheiros identificando-se como um civil, disseram as autoridades colombianas.
"Esses terroristas estão mentindo. Quando o sequestraram, ele não usava nenhuma vestimenta militar", disse no local o general do Exército Javier Rey também à Rádio Caracol, ao reiterar que Langlois tirou o uniforme militar e que o restante de sua indumentária era civil.
O jornalista também abandonou uma bolsa e sua câmera.
O general lembrou que a guerrilha não enviou nenhum comunicado sobre o desaparecido.
"Nós não temos nesse momento a certeza de que eles o têm. Presumimos", disse Rey.
Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que nos últimos anos intermediou dezenas de entregas de sequestrados das Farc, disse à AFP que apenas souberam do suposto comunicado guerrilheiro através da imprensa.
Também reiterou sua disposição em colaborar para uma eventual libertação de Langlois, se ele foi realmente sequestrado.