Buenos Aires - Juan Martín Fresneda, filho de desaparecidos durante a ditadura argentina (1976-83), foi designado secretário de Direitos Humanos pela presidente Cristina Kirchner, informou nesta terça-feira (15/5) o Boletim Oficial.
Fresneda, um advogado de 36 anos, era titular das Anses da província de Córdoba (centro), e é um dos fundadores da organização humanitária FILHOS do distrito, integrada por filhos de desaparecidos durante o regime. Seus pais, Tomás Fresneda e María Argañaraz, foram sequestrados em julho de 1977 na cidade de Mar del Plata (400 km ao sul de Buenos Aires) e, no momento do rapto, ela estava grávida de cinco meses.
A organização humanitária Avós da Praça de Maio identificou 104 filhos de desaparecidos roubados após o sequestro de seus pais, sobre cerca de 500 que, acredita-se, foram raptados naquela época. Fresneda assumirá o cargo na tarde desta terça-feira durante uma cerimônia na Casa Rosada (governo) liderada pela presidente Kirchner.
Trata-se de uma função chave para o governo argentino que impulsiona muitas das dezenas de causas judiciais em andamento por crimes contra a humanidade. Cerca de 30 mil opositores desapareceram na Argentina durante a ditadura, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.