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Deputada Suu Kyi encoraja países estrangeiros a investir em Mianmar

Agência France-Presse
postado em 14/06/2012 08:58
Suu Kyi convidou os países participantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) a visitarem Mianmar para conhecer a potencialidade do país
Genebra - Aung San Suu Kyi, a carismática líder da oposição birmanesa, lançou nesta quinta-feira na ONU, em Genebra, um apelo aos investidores estrangeiros para que favoreçam o desenvolvimento democrático de seu país. O apelo foi lançado durante a Conferência Internacional do Trabalho, no primeiro dia de sua viagem europeia, a sua primeira após 22 anos de prisão domiciliar em seu país, na época da junta militar no poder.

Enquanto todos os especialistas previam um discurso pedindo uma intervenção para pôr fim ao trabalho forçado em Mianmar, Aung San Suu Kyi surpreendeu seu auditório exigindo investimentos para o seu país, em pleno processo de transformação política, após as eleições de abril passado. "É um pedido urgente de minha parte", disse ela para cerca de 4.000 delegados na conferência, que aplaudiram longamente o seu discurso no grande salão do conselho do Palácio das Nações, em Genebra.

[SAIBAMAIS]A militante birmanesa, que fará 67 anos em alguns dias, também pediu ajuda para a juventude de seu país, que não teve a chance de ter uma educação e que sofre com um desemprego endêmico. "Jovens sem emprego perdem toda a confiança na sociedade, que fracassou em dar uma chance a eles", acrescentou, ressaltando os problemas com drogas e com o alcoolismo da juventude birmanesa.



"É preciso estimular investimentos diretos que geram criações de empregos", afirmou. Aung San Suu Kyi disse depois, durante uma entrevista coletiva à imprensa, "que uma política de desenvolvimento baseada na democracia, reforçada por reformas sociais, econômicas e políticas, vai colocar o país no caminho certo".

A questão dos imigrantes birmaneses que vivem na Tailândia, também foi mencionada. "De todos os trabalhadores imigrantes na Tailândia, 80% são birmaneses, e esses trabalhadores enfrentam com frequência violações de seus direitos", porque nem Mianmar nem a Tailândia adotaram as bases jurídicas necessárias para implementar as regras internacionais, declarou.

"Muitos daqueles com quem me reuni na Tailândia me disseram: ;Queremos voltar para casa;, e temos todos a responsabilidade de garantir a eles a paz e a segurança em seu retorno", disse. Depois de Genebra, que a militante visitou há 30 anos, Aung San Suu Kyi irá a Berna, capital federal da Suíça. Lá ela será recebida pelos maiores autoridades, antes de partir na quarta-feira para Oslo.

Esta visita à Europa de San Suu Kyi é a primeira grande viagem da militante desde 1988. A Suíça é a primeira etapa desta viagem de mais de 2 semanas, que a levará depois à Noruega, à Grã-Bretanha, à Irlanda e à França. Na Noruega, San Suu Kyi vai pronunciar um discurso em ocasião da entrega do seu Prêmio Nobel da Paz, concedido em 1991 e que ela não pôde receber pessoalmente, em razão de seu longo período em prisão domiciliar.

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