Em um breve pronunciamento feito pouco após o anúncio do impeachment, o presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, lamentou o que considerou uma quebra na democracia do país.
;A democracia foi ferida profundamente. Foram transgredidos todos os diretos de defesa. Espero que os senhores estejam cientes dos seus atos;, disse.
Lugo afirmou estar disposto a responder por suas ações e pediu para que população e polícia não entrem em confronto para que o ;derramamento de sangue dos justos seja evitado;.
O processo que pedia a saída de Lugo da presidência do país foi instaurado após 17 pessoas morrerem em um confronto entre policiais e camponeses sem-terras na última semana, em Curuguaty. Opositores acusaram Lugo de ;;mau desempenho de suas funções;; e parlamentares disseram que o episódio não foi o primeiro ato de derramamento de sangue de seu governo, iniciado em 2008.
O presidente foi acusado formalmente pela morte de 11 sem-terras e seis policiais em confronto para a desocupação de área invadida, pela crise dos camponeses no departamento de Ñacunday, uso das Forças Armadas em atividades políticas, insegurança no país e assinatura de acordo que permite a intervenção da União de Nações Sul-americanas (Unasul) caso haja risco à democracia - o protocolo de Ushuaia II .
Grande parte da população paraguaia se manifestou a favor do ex-presidente. Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Senado, onde o pedido de impeachment foi julgado, para demonstrar apoio a Lugo. Após o anúncio de afastamento, manifestantes que acusam a oposição de golpe de Estado e policiais entraram em confronto.