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Cerca de 30 mil pessoas homenageiam bósnios muçulmanos mortos em 1995



O julgamento do ex-general Mladic, 70 anos, que começou este ano, foi retomado na segunda-feira com o primeiro depoimento de uma testemunha de acusação. Apelidado de "açougueiro dos Balcãs", ele foi preso na Sérvia em 2011, após dezesseis anos em fuga. Acusado pelos mesmos crimes, Radovan Karadzic, 67 anos, foi detido em Belgrado, em julho de 2008, depois de se esconder por treze anos. Seu julgamento começou em outubro de 2009. Até o momento, 38 ex-soldados e policiais sérvios-bósnios foram condenados à prisão pelo TPII e pela justiça da Bósnia pelo massacre de Srebrenica, incluindo alguns por genocídio. Mas as famílias das vítimas têm dificuldade em acreditar que a justiça será feita. "O julgamento vai durar anos", lamenta Fátima Mujic, que veio para enterrar seu irmão.

"E no final, estes dois selvagens vão morrer antes de serem condenados, assim como Slobodan Milosevic, e os sérvios vão continuar a dizer que não houve genocídio em Srebrenica", acrescenta esta mulher de 39 anos, cujo marido também foi morto no massacre. Também acusado, entre outras coisas, pelo massacre de Srebrenica, o ex-presidente sérvio, Slobodan Milosevic, morreu em 2006 na prisão do TPII antes do final de seu julgamento. "Eles querem testemunhas? Aqui estão as testemunhas! Não precisa buscar muito longe", afirma Muniba Cakar, 63 anos, que enterrou o marido, mostrando milhares de lápides no memorial Potocari.