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Exército egípcio comemora êxito de missão contra 'terroristas' do Sinai

Agência France-Presse
postado em 08/08/2012 17:19
Cairo - O Exército egípcio comemorou nesta quarta-feira (8/8) as operações aéreas, consideradas um "êxito completo" contra "terroristas" no Sinai, três dias depois do ataque atribuído a extremistas islâmicos que matou 16 guardas de fronteira.

Essas operações das Forças Armadas e do Ministério do Interior, "apoiadas pela Força Aérea", começaram na noite de terça-feira e vão continuar, indicou o comando militar em um comunicado.

A missão foi realizada até agora "com grande sucesso", assegurou Exército, acrescentando que se destina "a assegurar o controle e restabelecer a segurança (na península) ao perseguir elementos terroristas armados presentes no Sinai".

A declaração não dá mais detalhes sobre o desenvolvimento destas operações, nem sobre as vítimas ou prisões realizadas.

Ainda nesta manhã (8/8), uma fonte militar e a televisão estatal afirmaram que 20 militantes foram mortos em ataques realizados por helicópteros Apache na madrugada desta quarta-feira na região.

Segundo estas fontes, a operação foi realizada na cidade de Tumah, no momento em que as forças de segurança egípcias concentram-se perto de Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza, o que permite prever um confronto com grupos armados.

Esta é a primeira vez em décadas que ataques aéreos do Exército são registrados na península do Sinai, onde sua presença é limitada pelo tratado de paz de 1979 com Israel.
Já a agência de notícias oficial Mena não informou sobre disparos de helicópteros nem mencionou o número de mortos.

Região propícia para atividades clandestinas


Outros agentes de segurança no norte do Sinai relataram ataques perto da cidade de Sheikh Zuwayid, não muito longe de Tumah.

Durante a noite, comandos não identificados atacaram vários postos de controle da cidade de El Arish, informou o Ministério do Interior, que indicou três policiais feridos.

Israel elogiou os esforços do Cairo para restaurar o controle de uma região onde a insegurança aumentou bastante desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

O Exército havia prometido vingar os 16 guardas de fronteira mortos no domingo por "terroristas" que, em seguida, entraram no território israelense, onde foram neutralizados. Seis islamitas morreram.

Os apelos por vingança foram retomados na terça-feira pelos meios de comunicação egípcios, durante o funeral dos 16 soldados.

Forças egípcias de segurança realizaram na terça-feira uma vasta operação de busca e captura de suspeitos envolvidos no ataque e se preparavam para fechar todos os túneis que se conectam com a Faixa de Gaza, que servem para o fornecimento de alimentos e para o contrabando de armas.

O Egito já fechou a passagem de Rafah, único ponto de contato do enclave palestino com o mundo exterior, já que os outros se comunicam com Israel, que os bloqueia desde que o movimento islâmico Hamas tomou o poder do território em 2007.

O ataque de domingo deixou clara a falta de controle do governo egípcio sobre a Península do Sinai, onde os islamitas lançaram ataques com foguetes no ano passado e fizeram algumas incursões em território israelense.



Também representa a primeira crise de segurança para o presidente Mohamed Mursi, do movimento da Irmandade Muçulmana, que tem boas relações com o Hamas.

O Exército tinha lançado no verão de 2011 uma grande ofensiva contra grupos radicais instalados nesta região desértica e acidentada, propícia para atividades ilegais, mas sem bombardeios aéreos.

Mursi não compareceu ao funeral dos 16 soldados, onde foram ouvidas palavras de ordem contra a Irmandade Muçulmana e, de acordo com testemunhas, houve uma tentativa de ataque ao primeiro-ministro islâmico, Hisham Qandil.

Após o ataque, o presidente decidiu aposentar o chefe da inteligência, o general Murad Muwafi, assim como o chefe da Guarda Republicana e o governador da província do norte do Sinai.

Os beduínos, maioria na região, mantêm há anos relações difíceis com o poder central. Eles criticam o poder por marginalizá-los e servir apenas aos interesses das estâncias turísticas lucrativas do litoral, como Sharm el Sheikh ou Taba.

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