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Presidente da Colômbia confirma diálogo preliminar com guerrilha das Farc

Bogotá - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou nesta segunda-feira que o governo realiza "conversações exploratórias" com a guerrilha comunista das Farc visando acabar com o conflito armado no país.

"Desde o primeiro dia do meu governo tenho cumprido com a obrigação constitucional de buscar a paz. Desenvolvemos conversações exploratórias com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para buscar o fim do conflito" e os resultados serão divulgados nos próximos dias, revelou Santos em mensagem pela TV.

O presidente assinalou que as forças militares colombianas não suspenderão suas operações ou reduzirão sua presença no território nacional durante estes contatos com a guerrilha.

Santos informou ainda o interesse de outra guerrilha colombiana - o Exército de Libertação Nacional (ELN) - de participar destas "conversações dirigidas a acabar com a violência", e se mostrou aberto a sua participação em um eventual diálogo.

Segundo o presidente, as três premissas básicas para o diálogo são "aprender com os erros do passado para não repeti-los; qualquer processo precisa levar ao fim do conflito e não a seu prolongamento; e a manutenção das operações e presença militar sobre cada centímetro do território" colombiano.

"Nos próximos dias vamos divulgar os resultados da aproximação com as Farc".

O presidente não revelou onde ocorreram as conversações e quem participou do diálogo.

Segundo a imprensa colombiana, os contatos ocorreram em Cuba, com a intervenção da Venezuela, e devem prosseguir em outubro na Noruega.

O ex-presidente Alvaro Uribe já havia revelado a existência do diálogo e citado alguns de seus participantes, em declarações à imprensa na semana passada para condenar as conversações e defender a intensificação do combate às Farc.

Nos últimos anos, as Farc têm perdido território e visto cair seus principais líderes, como ;Mono Jojoy; e ;Alfonso Cano;, mas a guerrilha segue ativa em algumas zonas da Colômbia.

Nesta segunda-feira, o procurador-geral da República, Eduardo Montealegre, recordou que Santos conta desde junho com uma base jurídica para a paz, que concede "instrumentos enormes para se sentar e negociar".

A reforma jurídica foi aprovada após as Farc manifestarem sua disposição de iniciar um diálogo direto com Santos e libertar os últimos dez militares e policiais que mantinham como reféns, além de renunciar ao sequestro de civis.

Principal guerrilha da Colômbia, as Farc operam desde os anos 60 e tem atualmente cerca de 9.200 combatentes. O ELN reúne mais de 2.500 homens, segundo o ministério do Interior.