Jornal Correio Braziliense

Mundo

Iraniano Jafar Panahi mostra na Berlinale como passa os dias preso em casa

Governo alemão pediu ao Irã que deixasse diretor ir à estreia de filme sobre sua vida



"Devíamos tentar buscar a forma de superarmos a proibição, para que ele pudesse sobreviver sem filmar. Quando terminou o roteiro, estava feliz. Rodamos o filme em seguida. Não sabemos quais serão as consequências, não podemos prever, não sabemos o que o futuro nos reserva", acrescentou.

"Queríamos manter uma grande discrição sobre este filme. Trabalhamos com uma equipe reduzida: o cinegrafista, Panahi e sua esposa e eu. E depois, Maryam Moghadam. Por isso as cortinas que são mantidas fechadas. Era difícil conseguir um ator e por isso eu mesmo decidi atuar", destacou.

O personagem interpretado pela bela Maryam entra no mar até desaparecer. "Suicídio? Ele não pensa nisso. Se eu estivesse em uma situação assim, talvez, inconscientemente, me viessem essas ideias negras", reconheceu.

Maryam Moghadam disse que seu personagem representava "o lado sombrio de seu espírito, o desespero inerente a toda pessoa, o lado que não tem esperanças, a ponto de se abandonar".