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Coreia do Norte ameaça Estados Unidos com ataques nucleares



[SAIBAMAIS] "A operação sem compaixão" das forças norte-coreanas "foi definitivamente examinada e ratificada", disse o exército, acrescentando que uma guerra na península coreana pode explodir "hoje ou amanhã". "Os Estados Unidos devem refletir sobre a grave situação atual", acrescentou, considerando que os voos de bombardeiros B-52 e B-2 americanos sobre a Coreia do Sul eram a origem deste agravamento da crise.

Apesar do disparo bem-sucedido de um míssil em dezembro, os especialistas não consideram que neste momento a Coreia do Norte tenha capacidade para atacar diretamente o território americano. No entanto, Pyongyang ameaçou atacar Guam e Havaí, e está em condições de atingir a Coreia do Sul e o Japão, onde encontram-se 28.500 e 50.000 soldados americanos, respectivamente.

A agência sul-coreana Yonhap e o jornal japonês Asahi Shimbun indicaram que a Coreia do Norte parec ter instalado em sua costa oriental uma bateria de mísseis Musudan de médio alcance (3.000 km).

Segundo fontes de inteligência militar citadas pela Yonhap, a Coreia do Norte pode lançar um míssil no dia 15 de abril, aniversário do nascimento do fundador do regime comunista, Kim Il-Sung, que faleceu em 1994.

"Vemos hoje uma nova declaração da Coreia do Norte que emite novamente uma ameaça que não é construtiva", declarou a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden, referindo-se a uma declaração "que isola um pouco mais a Coreia do Norte do resto da comunidade internacional". "A Coreia do Norte deve deter suas ameaças e tentar respeitar suas obrigações internacionais", acrescentou.

Pouco antes do anúncio do exército norte-coreano, o Pentágono informou na quarta-feira sobre a mobilização de uma bateria antimísseis THAAD sobre a ilha de Guam, de onde decolam os B-52 que sobrevoaram a Coreia do Sul. Este sistema de defesa se soma à mobilização de dois destroieres Aegis antimísseis no Pacífico ocidental.

Para o secretário de Defesa, Chuck Hagel, que se reuniu com seu colega chinês Chang Wanquan, as provocações de Pyongyang representam um perigo claro e real.

Aumento dos apelos à China

A multiplicação das ameaças inquieta cada vez mais a comunidade internacional. A Rússia está muito preocupada pela situação "explosiva perto de (suas) fronteiras no Extremo Oriente", declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Igor Morgulov.

A China, principal aliada da Coreia do Norte, convocou a calma e a moderação a todas as partes envolvidas no conflito. Os apelos feitos a Pequim para que tente apaziguar o regime de Kim Jong-Un se multiplicaram. A França desejou que a China, que tem poder sobre a Coreia do Norte, intervenha na crise.

Em Berlim, um porta-voz do ministério alemão das Relações Exteriores, Andreas Peshke, também pediu à China que atue com um papel tranquilizador e os Estados Unidos enviarão no fim do mês seu funcionário de mais alta patente, o general Martin Dempsey, a Pequim.

A União Europeia pediu a Pyongyang nesta quinta-feira que não alimente as tensões e que se comprometa a favor da paz e da segurança, renunciando à reativação de seu reator nuclear na central de Yongbyon.

Bloqueio de Kaesong

Por sua vez, Ban Ki-moon disse estar decepcionado e preocupado pelas restrições que afetam os trabalhadores sul-coreanos que trabalham em Kaesong e acrescentou que espera "sinceramente que a medida fique sem efeito o quanto antes".

A Coreia do Norte bloqueou nesta quinta-feira o acesso de centenas de empregados sul-coreanos ao complexo industrial intercoreano de Kaesong pelo segundo dia consecutivo, indicou um jornalista da AFP perto da fronteira da Coreia do Sul com o Norte.

Pyongyang inclusive ameaçou retirar seus 53.000 funcionários de Kaesong "se as marionetes sul-coreanas e os meios de comunicação conservadores continuarem nos denegrindo", segundo o Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, uma agência governamental encarregada da propaganda.

O complexo de Kaesong, preciosa fonte de renda para a Coreia do Norte, foi inaugurado em 2004 com a vontade simbólica de estabelecer uma cooperação entre as duas Coreias.

Para Yun Duk-Min, professor da academia sul-coreana de diplomacia, a maior incógnita é a atitude do jovem líder norte-coreano Kim Jong-Un, que, com menos de 30 anos, sucedeu seu pai Kim Jong-Il após sua morte, em dezembro de 2011. "O problema é saber se Kim, que ainda é jovem e pouco experiente, é capaz de controlar a escalada. Isso vai parar? É a pergunta que preocupa", opinaYun Duk-Min.