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Nomeação de islamitas causa renúncia de ministro e protestos no Egito

As polêmicas nomeações aumentaram as tensões no Egito, onde a oposição convocou uma manifestação em massa contra Mursi para o próximo dia 30 de junho, primeiro aniversário de sua posse

Cairo - A nomeação pelo presidente egípcio Mohamed Mursi de vários governadores islamitas, incluindo um fundamentalista islâmico para a região turística de Luxor (sul), provocou a renuncia do ministro do Turismo e manifestações e confrontos no norte o país. Essas polêmicas nomeações aumentaram as tensões no Egito, onde a oposição convocou uma manifestação em massa contra Mursi para o próximo dia 30 de junho, primeiro aniversário de sua posse.



Mas, segundo o porta-voz, o ministro insistiu que não exercerá suas funções "enquanto o novo governador permanecer em seu posto, causando um grande prejuízo ao turismo no Egito e, particularmente a Luxor". O presidente Mursi substituiu segunda-feira à noite 17 dos 27 governadores do país, nomeando sete membros da Irmandade Muçulmana, a qual pertence, e o salafista Adel al-Khayyat.

Essas mudanças reforçam o poder presidencial em postos estratégicos da organização administrativa e da segurança do país, a duas semanas das manifestações convocadas pela oposição para exigir a renúncia de Mursi. A oposição acusa o presidente de querer estender o controle islâmico sobre o país e de ser incapaz de resolver os problemas econômicos do Egito.

Com a nomeação de Luxor, o chefe de Estado envia assim um poderoso sinal da abertura ao movimento salafista, que conquistou nas últimas eleições legislativas 25% dos votos. Os salafistas exercem uma forte pressão sobre o governo em favor de uma islamização da sociedade egípcia. Apenas seis dos 17 novos governadores são militares, enquanto antes de sua chegada ao poder, o Exército e os serviços de segurança ocupavam quase todos os cargos administrativos importantes.

As novas nomeações provocaram manifestações em várias cidades do Delta do Nilo, com um saldo de 26 feridos. Em Tanta, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar partidários e opositores do novo governador, Ahmed al Beely, um membro da Irmandade Muçulmana, que entraram em confronto. Também houve manifestações em Menufiya, Ismailiya, Damietta e Behaira.