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Estado de Minas

Justiça amplia prisão preventiva de empresário que envolve chefe do FMI

Os juízes de instrução suspeitam que a arbitragem tenha sido fraudada em benefício do empresário e investigam quem tomou a decisão de recorrer a ela


postado em 25/06/2013 12:45

Paris - A Justiça francesa prolongou nesta terça-feira (25/6) a prisão preventiva do empresário Bernard Tapie para interrogá-lo pela arbitragem judicial pela qual recebeu mais de 400 milhões de euros do Estado, em um caso que afeta a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI,) Christine Lagarde, indicaram fontes judiciais. A detenção preventiva de Tapie em Paris teve início na manhã de segunda-feira (24/6) e pode durar até 96 horas.

Tapie está sendo interrogado sobre a arbitragem judicial privada com a qual foi resolvida, em 2008, a disputa judicial com o banco Crédit Lyonnais, estatal na época, pela venda da empresa de artigos esportivos Adidas, pela qual cobrou mais de 400 milhões de euros em indenizações pagas pelo Estado.

Os juízes de instrução suspeitam que a arbitragem tenha sido fraudada em benefício de Tapie e investigam quem tomou a decisão de recorrer a ela (em vez de à justiça comum). Também querem saber a relação que existia entre o empresário, a Presidência francesa e o Ministério da Economia, assim como os vínculos de Tapie com os juízes-árbitros.

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Jean Bruneau, ex-presidente da associação de pequenos acionistas da empresa BTF (Bernard Tapie Finances), também era mantido em prisão preventiva nesta terça. Fontes judiciais indicaram pouco depois que o advogado de Bernard Tapie, Maurice Lantourne, tinha também sido detido preventivamente na terça para ser interrogado.

Desde o final de maio, três pessoas foram acusadas de "fraude em quadrilha" neste caso. Já Lagarde, que naquela época era ministra da Economia do governo do presidente Nicolas Sarkozy (direita), foi declarada "testemunha assistida", um status intermediário entre o de testemunha e o de acusada.

As pessoas indiciadas são Stéphane Richard, atual presidente do grupo de telecomunicações Orange e na época diretor de gabinete da ministra da Economia, Christine Lagarde; Jean-François Rocchi, ex-diretor do Consórcio de Realização (CDR, instituição encarregada de administrar o passivo do Crédit Lyonnais) e o juíz-árbitro Pierre Estoup. Richard afirmou na segunda que Lagarde estava "perfeitamente informada" a respeito do assunto e que foi em "total conhecimento de causa" que "deu instruções por escrito de votar a favor" da arbitragem.

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