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Papa nomeia comissão especial para supervisionar Banco do Vaticano

A Pontifícia Comissão de cinco membros deve reportar as informações recolhidas diretamente ao papa para permitir-lhe entender melhor a posição jurídica e as atividades" do IOR

Agência France-Presse
postado em 26/06/2013 12:37
Cidade do Vaticano - O papa decidiu criar uma comissão especial para reunir informações sobre as atividades do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), o polêmico Banco do Vaticano, anunciou nesta quarta-feira (26/6) a Santa Sé. A Pontifícia Comissão de cinco membros deve reportar as informações recolhidas diretamente ao papa para permitir-lhe "entender melhor a posição jurídica e as atividades" do IOR, declarou o Vaticano, ressaltando que este trabalho faz parte da "reforma das instituições do Vaticano".

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Sinal da importância dada ao trabalho desta comissão, o papa a instituiu por meio de um Quirógrafo, um documento assinado de próprio punho, datado de 24 de junho. O objetivo do papa é permitir "a harmonização (das atividades) do IOR, com a missão da Igreja universal no contexto mais amplo das reformas necessárias das instituições" do Vaticano. Eleito em 13 de março, o papa tem constantemente repreendido a riqueza e o mundanismo, inclusive dentro da Igreja Católica e do clero, defendendo a virtude da pobreza que, de acordo com a doutrina cristã, abre o coração das pessoas para Deus e aos outros. Uma virtude distinta da miséria, contra a qual o papa Francisco luta.



[SAIBAMAIS]No documento, o papa explicou que criou a Comissão depois de ouvir a opinião de vários cardeais e bispos, e também com a intenção de "seguir o convite do (seu) predecessor Bento XVI, para que os princípios do Evangelho permeiem as atividades de natureza econômica e financeira". Ao longo dos anos, vários escândalos mancharam a reputação do IOR. Organizações criminosas se beneficiaram do anonimato ou de empréstimos duvidosos para a lavagem de dinheiro, entre outros crimes. O caso mais emblemático foi a falência do Banco Ambrosiano, que remonta a 1982 e que envolveu a CIA e a maçonaria.

A Comissão "terá como objetivo reunir informações sobre a evolução do Instituto e apresentar suas conclusões ao Santo Padre", disse o Vaticano, afirmando que "o grupo começará a trabalhar no dia de hoje" e desejando "uma colaboração produtiva entre a Comissão e o Instituto". Os membros da Comissão são o cardeal italiano Raffaele Farina, ex-chefe do Arquivo Secreto do Vaticano e nomeado presidente, o cardeal francês Jean-Louis Tauran (membro), Dom Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, um especialista espanhol na legislação do Vaticano designado coordenador da comissão, monsenhor Peter Bryan Wells, membro da Secretaria de Estado e nomeado secretário, e o americano Mary Ann Glendon especialista em direito, que é membro.

O IOR gere 19 mil contas pertencentes principalmente ao clero católico. São cerca de 7 bilhões de euros pertencentes desde freiras que estudam em Roma até bispos e cardeais e ainda alguns diplomatas. O novo presidente do IOR, o alemão Ernst von Freyberg, nomeado alguns dias antes da renúncia do papa Bento XVI, começou a verificar cada conta do IOR através da Agência americana de consultores financeiros Promotory.

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