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Pais de crianças que morreram intoxicadas na Índia exigem justiça

As vítimas, com idades variando entre 4 e 12 anos, comeram um prato de arroz e lentilhas preparado numa escola de Bihar, um dos estados mais pobres da Índia

Gandaman, Índia - Os pais das crianças que morreram em consequência de uma intoxicação alimentar depois de comer a merenda numa escola no leste da Índia fizeram saques em protesto para exigir justiça e uma maior rapidez na investigação dessa tragédia que deixou 25 mortos. As vítimas, com idades variando entre 4 e 12 anos, comeram um prato de arroz e lentilhas preparado numa escola de Bihar, um dos estados mais pobres da Índia.

Enfurecidos, os pais saquearam e incendiaram a casa da diretora da escola, que fugiu depois que as primeiras mortes foram registradas. Também tentaram entrar na sede do governo local, onde estão armazenados os alimentos distribuídos entre os habitantes mais pobres. Milhares de estudantes se negaram na véspera a comer a comida oferecida nas escolas, sob orientação dos pais.

[SAIBAMAIS]"Alguns alunos, inclusive, jogaram a comida na lixeira e estamos tentando convencê-los de que a tragédia não voltará a ocorrer", acrescentou uma fonte do governo. Além dos 25 alunos mortos, 30 permanecem em vários hospitais do estado de Bihar, o mais populoso da Índia e também considerado o mais pobre.



Em vários dos 29 estados da Índia, as autoridades oferecem almoço gratuito às crianças nas escolas públicas como forma de combater a pobreza generalizada. Os primeiros elementos da investigação revelaram a provável presença de fosfato, substância contida em inseticidas.

A causa das mortes seria um envenenamento, razão pela qual os pacientes estão sendo tratados com atropina, um antídoto utilizado contra os efeitos dos gases neurotóxicos. O governo indiano aprovou no início de julho por decreto um amplo programa de ajuda alimentar para os mais pobres, uma medida adiada por muito tempo e anunciada a um ano das eleições gerais.

Este programa seria o maior do mundo, com ajuda alimentar para cerca de 70% da população, ou seja, para mais de 800 milhões de pessoas. Este plano garante um fornecimento mensal de entre 3 e 7 quilos de grãos por pessoa, dependendo da renda.