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"Lobby gay" volta à tona no Vaticano após nomeação de prelado

A presença de homossexuais no Vaticano é conhecida, mesmo tendo sido mantida em silêncio. A existências de um "lobby" faz pensar na existência de um sistema de proteção, recomendação e chantagem

Agência France-Presse
postado em 19/07/2013 12:41
Cidade do Vaticano - O "lobby gay" voltou a ser notícia nesta sexta-feira (19/7) no Vaticano, após revelações, imediatamente desmentidas pela Santa Sé, sobre a suposta homossexualidade de um prelado nomeado pelo Papa Francisco a um cargo estratégico no Banco do Vaticano, o IOR. Segundo o vaticanista do jornal l;Espresso, Sandro Magister, que revelou o caso nesta sexta-feira 919), este prelado, Battista Ricca, manteve uma relação homossexual quando trabalhou em Montevidéu no período 1999-2000.

[SAIBAMAIS]Ocupando o cargo de núncio apostólico por um tempo, ele teria oferecido trabalho e casa a um capitão da Guarda suíça, com quem mantinha um caso. O padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, considerou como "não confiáveis" as informações reveladas pelo l;Espresso. De acordo com o jornal italiano, as informações de Sandro Magister estão baseadas em várias fontes confiáveis.



A presença de homossexuais no Vaticano é conhecida, mesmo tendo sido mantida em silêncio. O papa Francisco chegou a declarar a religiosos latino-americanos em 6 de junho: "Falam de lobby gay na Cúria. E é verdade, veremos o que podemos fazer". A existências de um "lobby" faz pensar na existência de um sistema de proteção, recomendação e chantagem.

Essas intrigas são contrárias à vontade de Francisco de fazer da Igreja uma instituição transparente, onde os prelado são fiéis aos votos de castidade. O que teria irritado particularmente o Papa é que os serviços do Vaticanos esconderam informações importantes sobre o prelado em questão. Informações, que, "se Francisco tivesse tido conhecimento, teria desistido de nomear Battista Ricca prelado do Instituto para as Obras de Religião", segundo Magister.

Ricca, de 57 anos, ganhou a confiança do papa como diretor da Casa de Santa Marta, onde Francisco optou por morar. O Papa teria consultado pessoalmente o dossier pessoal de Ricca e não teria constatado nada de inconveniente. Apenas uma semana após nomear o prelado ao IOR, que, encontrado núncios apostólicos, o Papa tomou conhecimento sobre os antecedentes homossexuais de Ricca. Ricca chegou em 1999 a Montevidéu, após passar pelo Congo, Argélia, Colômbia e Suíça, acompanhado de seu companheiro, o capitão Patrick Haari.

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