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UE alcança solução amistosa com China em disputa sobre painéis solares

A China produz mais de 70% dos painéis solares e conta com a maioria dos grandes fabricantes mundiais

Agência France-Presse
postado em 27/07/2013 11:34
Bruxelas - A União Europeia (UE) chegou a uma "solução amistosa" com Pequim sobre a importação de painéis solares fabricados na China, uma disputa que ameaçava se converter em uma autêntica guerra comercial. "Encontramos uma solução amistosa no caso dos painéis solares UE-China que conduzirá a um novo equilíbrio de mercado em nível de preços sustentados", indicou neste sábado o Comissário Europeu de Comércio, Karel De Gucht, em um comunicado.

De Gucht indicou que "após semanas de intensas negociações" depois da decisão da UE de impor direitos antidumping provisórios, os exportadores chineses de painéis solares ofereceram um acordo de preços cujos detalhes serão divulgados posteriormente.

Este compromisso não está orientado "a fixar os preços em níveis específicos, mas a impedir que caiam abaixo de um preço mínimo". As empresas exportadoras chinesas que participarem deste acordo estarão isentas das tarifas antidumping, segundo o comunicado. Os termos do acordo "levam em conta as circunstâncias particulares e únicas do mercado dos painéis solares, incluindo sua evolução nos últimos anos".

Este compromisso busca "estabelecer um equilíbrio entre dois elementos chave: eliminar o dumping prejudicial constatado e assegurar ao mesmo tempo um abastecimento de painéis solares estável no mercado da UE".

De fato, isto significa que os exportadores chineses se comprometem a respeitar um preço mínimo e, deste modo, a suprimir "os efeitos prejudiciais do dumping".

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O comunicado acrescenta que os detalhes do acordo serão publicados mais adiante.

Fontes diplomáticas afirmaram que o preço mínimo de um painel equivalerá a 56 centavos de euro por watt que possa gerar. Este preço mínimo será aplicado aos sete primeiros gigawatts (um gigawatt equivale a 10 bilhões de watts) de painéis solares importados.

A organização EU ProSun, que reúne os fabricantes europeus de painéis solares, já havia indicado que um compromisso deste tipo era absurdo, já que prevê um preço mínimo de venda na Europa inferior ao praticado atualmente, de 59 centavos de euro por watt, o que já é considerado dumping.

O governo chinês saudou neste sábado o acordo. "A conclusão positiva e construtiva de nossas negociações demonstra plenamente uma atitude pragmática e flexível de ambas as partes e uma sabedoria na resolução destas disputas", declarou Shen Danyang, porta-voz do ministério do Comércio chinês.

A China produz mais de 70% dos painéis solares e conta com a maioria dos grandes fabricantes mundiais.

A disputa sobre os painéis solares e outras divergências entre a UE e a China se agravaram no início deste ano, criando o temor de que estas duas grandes potências se envolvessem em uma desastrosa guerra comercial.

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