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Programa nuclear iraniano tem último dia para ser negociado em Genebra

A etapa final do plano apresentado pelo Irã contempla a possibilidade de visitas de surpresa, como estabelece o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP)

Genebra - As grandes potências e e o Irã retomam nesta quarta-feira (16/10), em Genebra, pelo segundo e último dia, as negociações sobre o programa nuclear iraniano, depois da apresentação de um plano de Teerã que abre as portas para visitas-surpresa a suas instalações nucleares. A etapa final do plano apresentado pelo Irã contempla a possibilidade de visitas de surpresa, como estabelece o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP), afirmou o chefe dos negociadores iranianos para a questão nuclear, Abas Araghchi.



Esse tipo de reunião bilateral entre americanos e iranianos durante as negociações plenárias entre o Irã e os 5%2b1 é extremamente rara. O último encontro tinha sido em 2009. Pela primeira vez, a delegação americana é integrada por responsáveis pelas sanções econômicas contra o Irã. Essa política que pune a República Islâmica por seu programa nuclear afeta fortemente a economia do país. Especialistas americanos interpretam a presença dessas autoridades como um sinal de abertura de Washington.

As grandes potências e o Irã retomaram as negociações com o objetivo de impulsionar o diálogo com uma solução à vista. A chegada ao poder do novo presidente da República Islâmica do Irã, Hassan Rohani, que multiplicou os gestos de abertura em relação ao Ocidente e, em particular, aos Estados Unidos, renovou as expectativas após anos de um diálogo infrutífero.

O Ocidente e Israel suspeitam que o Irã tenha um objetivo militar por trás de seu programa nuclear civil e temem que o Irã enriqueça urânio em um nível suficiente para fabricar uma bomba atômica. Enquanto Teerã e as grandes potências negociam, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, referiu-se novamente nesta terça à possibilidade de efetuar ataques preventivos contra o Irã. Em um discurso na Knesset (Parlamento) por ocasião de uma cerimônia para lembrar a guerra entre israelenses e árabes de 1973, o primeiro-ministro advertiu que uma das lições desse conflito, no qual Israel foi surpreendido no início, é "levar a sério seus inimigos e nunca ignorar os sinais de perigo".