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Governo que prega política de imigração severa assume poder na Noruega

Desde a criação, o Partido do Progresso permaneceu afastado do governo pelo caráter radical de posições em termos de direito de asilo, políticas fiscais e mudança climática

Oslo - Um novo governo de direita assumiu o poder nesta quarta-feira (16/10) na Noruega com a participação, pela primeira vez, do Partido do Progresso (direita populista), que prega uma política de imigração severa. A equipe da conservadora Erna Solberg tem sete ministros do Partido do Progresso (FRP) e 11 conservadores. "Considero que é um governo bom e competente", declarou Solberg, de 52 anos, grande vencedora das eleições legislativas de 9 de setembro.

Os populistas ocupam, entre outros, o ministério das Finanças, nas mãos de sua líder Siv Jensen, de 44 anos, e outras pastas importantes como Petróleo e Energia, Justiça e Transportes. Desde a criação há 40 anos, o FRP permaneceu afastado do governo pelo caráter radical de suas posições em termos de direito de asilo, políticas fiscais e mudança climática.



Rejeitando qualquer relação com os partidos de extrema-direita, o FRP conseguiu reorientar o discurso, por iniciativa de Jensen, e agora as outras formações aceitam colaborar com o movimento. Há alguns anos, Jensen denunciava a "islamização galopante" da sociedade norueguesa, mas o partido atenuou o discurso após o ataque de 2011 executado pelo extremista e ex-membro do partido Anders Behring Breivik.

Breivik, afirmando lutar contra o multiculturalismo, matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011 com a explosão de uma bomba perto da sede do governo em Oslo e ao abrir fogo contra jovens trabalhistas na ilha de Utoya. O FRF condenou o massacre e seu autor.

Para o cientista político Frank Aarebrot o RFP está dividido em dois grupos: um que defende a linha dura contra a imigração e outro partidário do liberalismo econômico. "Os liberais entraram no governo. A ala xenófoba foi deixada de lado", afirmou à AFP.