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Estado de Minas

Caso de homem que sobreviveu à forca expõe sistema de julgamentos

Ativistas cobram mudanças


postado em 24/10/2013 06:06

Majid e o sobrinho, Hossein Kavousifar, enforcados com guindaste, em Teerã: execuções públicas são comuns na república teocrática islâmica(foto: Morteza Nikoubazl/Reuters - 24/11/09)
Majid e o sobrinho, Hossein Kavousifar, enforcados com guindaste, em Teerã: execuções públicas são comuns na república teocrática islâmica (foto: Morteza Nikoubazl/Reuters - 24/11/09)

 

Depois de duas semanas em coma, Alireza M. despertou, ontem, e abriu os olhos do mundo para os horrores de um sistema judiciário regido pela sharia (lei islâmica) e por interesses políticos. No último dia 9, o detento da Prisão de Bojnurd, no nordeste do Irã, foi pendurado na forca para o cumprimento da sentença, imposta como punição pela posse de 1kg de metanfetamina. Alireza ficou 12 minutos com a corda presa ao pescoço; o corpo, solto no vazio. Um médico, um juiz e o diretor da penitenciária assinaram o atestado de óbito. No dia seguinte, um funcionário do necrotério percebeu vapor no saco plástico mortuário, à altura da boca. Alireza estava vivo.

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Depois de anunciarem que ele seria submetido a novo enforcamento, as autoridades voltaram atrás. “Minha opinião é que a sentença de morte do homem que voltou à vida deve ser reduzida à prisão perpétua”, declarou o aiatolá Amoli Larijani, chefe do Judiciário, citado pela agência Isna. “Do ponto de vista emocional, um dos modos de lidar com o executado que viu a morte e sofreu privações é mostrar-lhe clemência”, acrescentou. As últimas informações dão conta de que Alireza já consegue respirar e conversar, no Hospital Imam Ali, em Bojnurd, a 825km de Teerã.

Para o iraniano Mahmood Amiry-Moghaddam, porta-voz da ONG Iran Human Rights, o caso escancarou a brutalidade da pena de morte no Irã. “Ele mostrou ao mundo que o país não é apenas um presidente sorridente e negociações nucleares. Existe outra realidade, dentro do Irã, que não deve ser ignorada”, afirmou ao Correio, por meio da internet. De acordo com ele, 580 pessoas foram executadas pelo regime teocrático islâmico, no ano passado — em 2011, esse número chegou a 676. “Estima-se que entre 800 e 1 mil cidadãos sejam mortos anualmente. A maior parte das execuções é mantida em segredo.” Na terça-feira, uma mulher e seis homens foram mortos em Kermanshah.

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