O secretário de Estado americano agradeceu particularmente ao soberano de 90 anos por conceder a ele uma audiência. "Sei que atualmente não recebe muita gente", afirmou Kerry.
Este é o primeiro encontro entre o rei saudita e John Kerry desde que assumiu suas funções como secretário de Estado.
;Táticas; diferentes
Já no domingo no Cairo, primeira etapa de seu giro regional, John Kerry assegurou que os Estados Unidos não virariam as costas para seus aliados em uma região desestabilizada pela Primavera Árabe.
"Estamos ao lado da Arábia Saudita, dos Emirados [Árabes Unidos], dos catarianos, jordanianos, egípcios e dos demais aliados. Não permitiremos que esses países sejam atacados do exterior. Estaremos do seu lado", afirmou.
Ele admitiu que os Estados Unidos têm "táticas" diferentes com seus aliados em relação à Síria, mas que buscam um único objetivo final: um governo de transição sem o presidente Bashar al-Assad.
"Compartilhamos todos o mesmo objetivo (...), que é salvar o Estado sírio e instaurar um governo de transição (...) que possa dar ao povo da Síria uma oportunidade de escolher seu futuro".
Washington, Moscou e ONU tentam com grandes dificuldades reunir em Genebra uma conferência internacional com a participação do regime e da oposição, a fim de encontrar uma solução política para o conflito que já deixou, segundo uma ONG, mais de 120.000 mortos desde março de 2011.
A oposição, muito dividida em relação a sua participação, exige garantias sobre a saída de Assad do poder, o que ele rejeita.
A Arábia Saudita também observa com cautela a aproximação entre Washington e Irã, aliado do regime sírio, e a possível participação iraniana em Genebra -2 .
"Nós concordamos plenamente com os sauditas sobre as suas preocupações", declarou um membro do Departamento de Estado. "Está fora de questão para nós amolecer a nossa posição sobre o que os iranianos têm feito para apoiar grupos terroristas em toda a região".
Para expressar seu descontentamento, Riad anunciou em 18 de outubro sua rejeição em assumir seu assento de membro não-permanente no Conselho de Segurança da ONU, um ato sem precedentes para protestar contra a falta de ação dessa instituição.
Mas, para os analistas, as relações entre os dois países não deve chegar a um ponto de ruptura. "Apesar do clamor da Arábia Saudita, a base das relações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita - a coordenação em matéria de inteligência e contenção militar do Irã - é sólida", escreveu Frederic Wehrey, analista do centro Carnegie Endowment for International Peace.