Agência France-Presse
postado em 07/11/2013 13:46
Moscou - Um opositor russo detido durante uma manifestação em maio de 2012, às vésperas da posse de Vladimir Putin, corre risco de morte após 50 dias de greve de fome, informou nesta quinta-feira (7/11) seu advogado. Sergei Krivov, de 51 anos, começou sua greve de fome em 19 de setembro para protestar contra sua detenção e a de catorze outros réus no "caso Bolotnaia", nome da praça no centro de Moscou onde os protestos contra o regresso de Vladimir Putin ao Kremlin terminaram em confrontos em maio de 2012.[SAIBAMAIS]"Seu estado de saúde é grave. Ele está muito debilitado fisicamente", ressaltou o advogado Vyacheslav Makarov. "Os médicos da prisão pararam de pesá-lo, pois ele está perdendo peso muito rapidamente. Foram tiradas amostras de seu sangue. Ele perdeu 15 kg", relatou. "Isso é muito perigoso, está fora de controle, ele pode continuar sua greve de fome até a morte", disse o advogado. O caso Bolotnaia, considerado pela oposição como emblemático da repressão após a eleição de Vladimir Putin para um terceiro mandato como presidente, envolve 27 pessoas, 15 estão sob custódia há mais de um ano.
Dois deles foram condenados a penas de prisão de até quatro anos e meio, e outro, diagnosticado com esquizofrenia leve, recebe tratamento forçado em um hospital psiquiátrico. A maioria dos acusados são cidadãos comuns, que não pertencem a nenhum movimento político. Alguns são acusados de jogar garrafas de plástico, outros de derrubarem cabines de banheiros públicos ou resistirem à polícia, mas todos foram acusados de "distúrbios de massa", um crime que, de acordo com Código Penal russo, significa "perturbação a ordem pública, incêndio, destruição de propriedade, uso de armas de fogo e de explosivos". Eles podem pegar até oito anos de prisão. Segundo os promotores, 82 policiais ficaram feridos durante os confrontos, cuja origem não foi esclarecida.