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Em meio à destruição, jovem filipina dá à luz em clínica improvisada

A menina nasceu em um colchão, cercada de pedaços de madeira, de vidro e de metal varridos pelo tufão

Agência France-Presse
postado em 11/11/2013 10:57
Tacloban - Horas depois de o tufão Haiyan carregar a casa e a mãe, a jovem filipina Emily Sagalis chorou de alegria nesta segunda-feira (11/11) ao dar à luz a filha em um centro médico improvisado. A menina nasceu em um colchão, cercada de pedaços de madeira, de vidro e de metal varridos pelo tufão, no aeroporto de Tacloban, destruído e transformado em um centro de atendimento médico.

Mulher segura a recém-nascida Beatriz em clínica improvisada na cidade de Tacloban, no centro das Filipinas
"Ela é tão bonita! Vou chamá-la de Bea Joy, em homenagem à minha mãe Beatriz", disse Sagalis, de 21 anos, ao segurar a filha. Sagalis conta que sua mãe foi arrastada por uma onda perto da cidade de Tacloban, a capital da província de Leyte, uma das mais afetadas pelo tufão Haiyan. "Ela é meu milagre. Quando as ondas chegaram e nos levaram pensei que morreria com ela dentro de mim", conta a jovem, em meio à devastação.

A lado dela, o marido Jobert, com lágrimas nos olhos, carrega nos braços a recém-nascida. Jobert explica que a primeira onda levou sua casa de madeira, na localidade de San José, e com ela toda a família. Em certo momento a zona se converteu em uma massa de escombros e cadáveres de pessoas e animais. "Hoje deveríamos estar em celebração, mas também estamos de luto pelos mortos", afirma Jobert.



[SAIBAMAIS]O jovem acrescenta que, graças a Deus, encontrou sua esposa flutuando em meio aos escombros. Segundo ele, eles foram levados por um tempo que pareceu durar várias horas, até que o nível da água baixou e puderam se abrigar em uma escola com outras vítimas da tragédia.

O casal e outros sobreviventes esperaram ali até a manhã desta segunda-feira, bebendo apenas algumas garrafas de água que encontraram em meio aos escombros. Jobert sabia que sua mulher estava perto de dar à luz, mas não receberam nenhuma ajuda. "Começou às cinco da manhã (desta segunda-feira) e tivemos que caminhar vários quilômetros até encontrar um caminhão que nos transportasse" ao hospital improvisado no aeroporto de Tacloban, conta Jobert.

O médico militar que a atendeu, capitão Victoriano Sambale, conta que a jovem teve muita hemorragia no parto. "É a primeira vez que nasce um bebê aqui. A menina está bem e conseguimos parar o sangramento da mãe", declarou. No entanto, o médico advertiu para o alto risco de infecções, devido às condições dos materiais, que não puderam ser esterilizados. "A mãe ainda corre o risco de ter uma infecção ou uma septicemia. Temos que dar a ela antibióticos intravenosos, mas, infelizmente, ontem (domingo) ficamos sem antibióticos orais", explicou Sambale.

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