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Sobreviventes de naufrágio no Mediterrâneo processam países da Otan

Ao todo, 63 pessoas morreram no acidente. Os imigrantes conseguiram contatar por telefone por satélite um padre italiano que avisou a Guarda Costeira italiana sobre sua localização

Bruxelas - Três refugiados etíopes que sobreviveram ao naufrágio de sua embarcação no Mediterrâneo, que deixou 63 mortos, entraram com um processo nesta terça-feira (26/11) contra a Bélgica, cujas forças armadas, mobilizadas junto a navios de outros países da Otan para vigiar o litoral líbio em plena guerra civil, não os resgataram.

Os três refugiados e seus companheiros embarcaram em Trípoli, na noite de 26 de março de 2011, apenas 10 dias depois que a Otan começou sua intervenção na Líbia e decidiu um bloqueio naval ao país africano para impedir o fluxo de armas.

Com 15, 21 e 26 anos, os três fazem parte dos nove sobreviventes da tragédia, tinham como destino a ilha italiana de Lampedusa, um trajeto de 20 horas, mas a embarcação, sem combustível, ficou à deriva na metade do caminho, numa zona patrulhada pelos países da Otan.



Os imigrantes conseguiram contatar por telefone por satélite um padre italiano que avisou a Guarda Costeira italiana sobre sua localização. A embarcação ficou à deriva por dias sem que nenhum navio viesse em seu auxílio, até que em 10 de abril uma tempestade o empurrou para o litoral líbio com apenas 11 sobreviventes, dois dos quais morreram posteriormente.

Segundo os sobreviventes, um navio que se aproximou sem tomar atitude foi o "Narcisse", de bandeira belga. Por isso, os três sobreviventes resolveram abrir um processo nos tribunais belgas.