O aperto de mãos foi visto por milhares de pessoas de todo o mundo que assistiam à cerimônia em homenagem a Mandela ao vivo e ocorre num momento em que Obama tenta cumprir sua promessa de dialogar até mesmo com o mais implacável dos inimigos dos Estados Unidos, o Irã. Em setembro, o líder americano conversou por telefone com o presidente iraniano, Hassan Rowani, no primeiro gesto deste tipo desde a revolução de 1979 na República Islâmica.
Estados Unidos e Cuba, por sua vez, mantêm relações limitadas há meio século, a maior parte deste período sob o governo do irmão de Raúl, Fidel Castro, e o destino do país comunista é um assunto amargo na política interna americana. Cubano-americanos fortemente contrários a Castro compõem uma parcela considerável de eleitores e possíveis doadores na Flórida, um estado chave onde as eleições americanas podem ser decididas.
[SAIBAMAIS]Como candidato presidencial, Obama foi taxado tanto de ingênuo quanto de perigoso por rivais de ambos os partidos por sugerir que, como presidente, estaria disposto a dialogar com inimigos sem pré-condições. A habilidade de Obama em rastrear e matar Osama Bin Laden e uma série de ataques de drones o distanciaram das acusações de fraqueza em política externa e segurança, mas o presidente foi cuidadoso nesta terça-feira ao criticar líderes opressores em seu discurso, com Castro a apenas alguns metros de distância.
"Há muitos líderes que dizem se solidarizar com a luta de Madiba pela liberdade, mas não toleram a dissidência de seu próprio povo", declarou. Não está claro se o aperto de mãos desta terça-feira contribuirá para descongelar significativamente as relações. Em 2000, o então presidente Bill Clinton apertou a mão de Fidel Castro na Assembleia Geral da ONU em Nova York. No entanto, não foi feita nenhuma imagem do momento e a Casa Branca negou inicialmente que ele tivesse ocorrido.
Havana e Washington não mantêm relações diplomáticas desde 1961, dois anos após Fidel Castro chegar ao poder na Revolução Cubana. Desde que Obama chegou ao poder as tensões diminuíram, e ambos os países alcançaram diversos acordos - encarados como medidas de construção de confiança - incluindo cooperação em resgate marítimo e aéreo e questões migratórias. vEm 2011 Obama flexibilizou as restrições sobre vistos, remessas e viagens.
A ação foi concebida para expandir viagens religiosas e educacionais, permitir que qualquer aeroporto ofereça voos charter para o país e restaurar iniciativas culturais suspensas pelo governo anterior, de George W. Bush. Há negociações em andamento para retomar um serviço postal direto entre os dois países.