Agência France-Presse
postado em 13/12/2013 18:01
A linha de trem de alta velocidade França-Espanha, que unirá Barcelona a Paris, Marselha, Lyon e Toulouse, será inaugurada domingo (15/12), com vários meses de atraso.A cada dia serão realizadas dois trajetos ida e volta entre Paris e Barcelona, e um entre Barcelona e Lyon, Toulouse e Marselha. Em meados de 2014, os trajetos serão ampliados, entre Barcelona e essas três cidades francesas.
No total, 17 cidades espanholas e francesas serão ligadas pelo novo AVE França-Espanha, explorado comercialmente de forma conjunta pelas companhias ferroviárias dos dois países, a SNCF e a RENFE. Só o segmento entre Montpellier e Figueras não será de alta velocidade.
"É preciso criar o mercado, levar os trens, depois ampliaremos. Queremos nos adaptar às variações de temporada", explica Jean-Yves Leclercq, diretor da SNCF para a Europa. A companhia francesa aposta principalmente nos turistas.
O preço do bilhete de ida Paris-Barcelona varia entre 59 e 170 euros. Quando as vendas foram abertas dia 28 de novembro, foram vendidos, em poucas horas, 2.000 bilhetes.
Até agora, foram vendidos 30.000, informa a SNCF, que se recusa a antecipar uma previsão de faturamento, mas estimou que um milhão de passageiros utilizem a linha em 2014.
Com 6 horas e 25 minutos para o trajeto Paris-Barcelona, a nova linha só reduz em 20 minutos o percurso, mas, no futuro, a duração será de 5 horas e 35 minutos, quando o segmento entre Perpiñán e Nimes passar a ser de alta velocidade, o que está previsto para 2021.
Conexão mediterrânea
Por outro lado, o trajeto entre Toulouse e Barcelona já será feito domingo em três horas e direto, quando atualmente requer quatro horas e duas baldeações.
Esta linha, resultado de um projeto iniciado em 2008, "não é concebida em relação a Paris. É uma conexão mediterrânea", disse em dezembro de 2012 o presidente da SNCF, Guillaume Pepy, fazendo alusão a uma "ferramenta de desenvolvimento do arco mediterrâneo".
Na época, anunciou a inauguração da linha para o final do primeiro semestre de 2013.
A SNCF explica esse atraso pelos prazos de homologação de seus trens, para que possam circular na Espanha, e a dois trens da RENFE, para circular na França.
"Levou 18 meses em obtê-la", segundo Jean-Yves Leclercq.
Entre os dois países, são diferentes, por exemplo, os sistemas de sinalização. Também foi necessário garantir que os sistemas de informação internos, que indicam, entre outros dados, a velocidade do trem, eram viáveis para serem usados em ambos os lados da fronteira.
Para a adaptação e a homologação de seus trens, a SNCF informou um custo de entre cinco e dez milhões de euros.
Do lado espanhol, além desses custos, a construção da linha de alta velocidade entre Barcelona e Figueras, inaugurada em janeiro, custou 3,7 bilhões de euros.
"Desde janeiro, com a abertura desse segmento, o tráfego aumentou entre Paris e Barcelona, apesar da correspondência" em Figueras, informa Barbara Dalibar, diretora de viagens da SNCF.
Entre janeiro e o final de novembro, foram vendidos na linhas Paris-Figueras, cerca de 300.000 bilhetes internacionais e 350.000 bilhetes "domésticos", ou seja, para um trecho do trajeto unicamente na Espanha ou unicamente na França.
"Encher os trens nas estações intermediárias nos dois lados da fronteira permite rentabilizar" a linha, disseram os diretores da SNCF.