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Referendo sobre a nova Constituição do Egito acontecerá em janeiro

Em 3 de julho, quando o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito foi derrubado, o exército prometeu uma "transição democrática"

Cairo - O referendo sobre a nova Constituição do Egito acontecerá nos dias 14 e 15 de janeiro, anunciou o presidente egípcio interino, Adly Mansur.

"Convoco um referendo sobre o texto revisado da Constituição para 14 e 15 de janeiro", declarou o chefe de Estado interino, nomeado em julho pelo exército após a destituição e detenção do presidente islamita Mohamed Mursi.

A consulta popular é a primeira etapa da transição democrática anunciada pelos militares.

Em 3 de julho, quando o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito foi derrubado, o exército prometeu uma "transição democrática". A primeira etapa seria um referendo sobre o texto revisado da Constituição adotada em 2012 durante o governo Mursi.

Depois aconteceriam eleições presidenciais e legislativas, em uma ordem que ainda não foi definida.


Depois da suspensão da Constituição em 3 de julho, o novo governo, dirigido de fato pelo exército, nomeou uma comissão constituinte que entregou um projeto de lei fundamental que consolida o poder militar, reforçando o peso do exército na vida política do país.

O texto autoriza em especial os tribunais militares a julgar civis, o que provoca inquietação entre os grupos de defesa dos direitos humanos e protestos dos movimentos laicos, a vanguarda da revolta de 2011 que derrubou o ditador Hosni Mubarak.

Mansur afirmou neste sábado que o texto incluía avanços "em termos de liberdades, direitos humanos e equilíbrio de poderes".

"É o ponto de partida para construir verdadeiramente as instituições de um Estado democraticamente moderno".