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Estado de Minas

Vladimir Putin denuncia golpe na Rússia e não descarta ação militar

Obama acusa o Kremlin de tentar controlar Kiev. Moscou testa míssil nuclear intercontinental, e península registra primeiros disparos


postado em 05/03/2014 06:43 / atualizado em 04/03/2014 23:26

"O presidente Putin parece ter outra equipe de advogados, talvez outro conjunto de interpretações. Mas eu não acredito que ele esteja enganando ninguém", Barack Obama, presidente dos Estados Unidos (foto: Saul Loeb/AFP)


Primeiro, a retórica dura de um líder determinado a sobrepor seus interesses às ameaças do Ocidente. Depois, um recado na forma de um teste com um míssil nuclear balístico intercontinental capaz de atingir Washington. Em tom desafiador, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu a imprensa na residência de campo de Novo-Oraryoya, perto Moscou, e fez um alerta: “Nós nos reservamos o direito de usar todos os meios para proteger” os ucranianos e os cidadãos russos na Crimeia. “Até agora, não houve necessidade de uso das Forças Armadas, mas essa possibilidade permanece”, declarou Putin, segundo o qual um ataque à Ucrânia seria o “último recurso”. O chefe de Estado negou que suas tropas estejam na região e responsabilizou “forças locais de autodefesa” da península pelo cerco aos militares ucranianos. “Nossas ações são descritas pelo Ocidente como ilegítimas, mas olhem as operações dos EUA no Afeganistão, no Iraque e na Líbia”, garantiu. Ele atacou o novo governo de Kiev e afirmou que o líder deposto Viktor Yanukovich é o único presidente ucraniano legítimo.

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“Putin pode falar o que quiser. Os fatos mostram uma violação russa. A conduta de Moscou não se baseia na preocupação real com os cidadãos russos, mas no fato de a Rússia querer exercer poder sobre um país vizinho”, respondeu o presidente dos EUA, Barack Obama. “O presidente Putin parece ter outra equipe de advogados, talvez outro conjunto de interpretações. Mas eu não acredito que ele esteja enganando ninguém”, acrescentou. Poucas horas após a réplica americana, o Ministério da Defesa russo anunciou o lançamento do míssil RS-12M Topol, a partir da região de Astrakhan (sul). “A ogiva do míssil destruiu o alvo sobre o polígono de Sary-Chagan, no Cazaquistão”, informou uma autoridade da pasta. O RS-12M Topol pode alcançar 10 mil quilômetros e está apto a carregar uma ogiva nuclear de 550 quilotons.

Em visita a Kiev, o secretário de Estado americano, John Kerry, condenou o “ato de agressão” da Rússia, ao reunir-se com o premiê Arseniy Yatsenyuk. “Os EUA reafirmam seu compromisso com a integridade territorial da Ucrânia”, declarou. O chefe da diplomacia de Washington acusou a Rússia de buscar um pretexto para invadir o país. “Este é o século 21 e nós não deveríamos ver nações retrocederem e se comportarem com modelos dos séculos 19 ou 20”, disse Kerry. Na véspera, o governo Obama tinha anunciado a suspensão da cooperação militar com o Kremlin, além do diálogo sobre acordos bilateriais e investimentos. O secretário ofereceu um pacote de ajuda de US$ 1 bilhão ao país. A União Europeia considera pagar US$ 2 bilhões em dívidas contraídas por Kiev com Moscou na compra de gás. A partir de abril, a estatal russa Gazprom vai pôr fim à redução no preço do produto vendido para a Ucrânia.

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