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Ministro da Defesa é nomeado primeiro-ministro da Líbia

Destituição aconteceu após uma longa disputa entre os Poderes Executivo e Legislativo, em um país quase paralisado e mergulhado no caos

Trípoli - O ministro da Defesa da Líbia, Abddulah al Theni, foi nomeado chefe de Governo interino depois que o Parlamento líbio retirou sua confiança nesta terça-feira do primeiro-ministro Ali Zeidan.

A destituição aconteceu após uma longa disputa entre os Poderes Executivo e Legislativo, em um país quase paralisado e mergulhado no caos.

"O Congresso votou por retirar a confiança do primeiro-ministro, com 124 votos", declarou o Congresso Geral Nacional (CGN, Parlamento), principal instância política e legislativa da Líbia, acrescentando que Theni foi designado chefe de governo interino até que o sucessor de Zeidan seja nomeado.

Theni prestou juramento logo depois, segundo imagens de emissoras de televisão locais, e deve permanecer no cargo por até duas semanas.

Tentativas anteriores de censurar Zeidan foram frustradas diante da incapacidade de se atingir a maioria necessária de 120 membros do Congresso, de um total de 194. O governo de Zeidan era frequentemente criticado por não ter restabelecido a segurança do país, dois anos após a queda do regime de Muammar Kadhafi.

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Nesta terça, antes da votação, a deputada Suad Ganur disse à AFP que se chegou a um acordo para mudar o governo. "A situação do país está-se tornando insuportável. Nem aos deputados que apoiavam o primeiro-ministro resta outra opção", explicou.

Um independente que contava com o apoio dos liberais, Zeidan acusava os islâmicos, com frequência, de quererem tirá-lo do cargo para assumirem o poder na Líbia. Ele se negava a renunciar e, nesta terça, pouco antes da votação no Congresso, sua assessoria negava os rumores de que tivesse entregue o posto.

Desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro em novembro de 2012, Zeidan e o Congresso se acusavam mutuamente de serem responsáveis pela situação do país.

O CGN também tem recebido críticas. Grande parte da população e dos políticos pedem a dissolução do Parlamento, depois que a Casa prolongou seu próprio mandato por mais dez meses, indo até o fim de 2014. Após essa "extensão", o governo estabeleceu um novo calendário, com eleições "antecipadas", mas o CGN não chegou a um consenso sobre o modo de eleição de presidente.

Nesta terça, o Congresso decidiu deixar que o futuro Parlamento decida como o presidente será escolhido, mas ainda não se sabe a data para a eleição dos novos membros da Casa, disse à AFP o deputado Mohamed Laamari.

O Congresso também criticava Zeidan pelo bloqueio dos terminais petroleiros desde julho por parte dos separatistas da região oeste da Líbia.