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Ofensiva judicial chavista mobiliza a oposição nas ruas de Caracas

Maduro acusa os líderes opositores de promover "um golpe de Estado" com os protestos contra a insegurança, a falta de produtos e a inflação

Caracas - A ofensiva judicial chavista contra uma deputada e dois prefeitos da oposição elevou a tensão na Venezuela, onde foram convocados novos protestos para quinta-feira (20/3) contra o governo de Nicolás Maduro. O prefeito de San Cristóbal - capital do estado de Táchira e foco da onda de protestos que sacode a Venezuela - foi detido na quarta-feira pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) por fomentar uma "rebelião civil" e instigar à violência, informou o ministro do Interior, Miguel Rodríguez.



Maduro acusa os líderes opositores de promover "um golpe de Estado" com os protestos contra a insegurança, a falta de produtos e a inflação. Em um mês e meio, 30 pessoas morreram nos protestos na Venezuela. Na terça-feira, a maioria chavista da Assembleia Nacional aprovou um pedido de investigação da Procuradoria contra a deputada opositora María Corina Machado, também acusada de promover a violência na onda de protestos.

Líderes opositores detidos

Daniel Ceballos é o segundo dirigente da Vontade Popular a ser detido por promover a violência na onda de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, iniciada em San Cristóbal no dia 4 de fevereiro. Leopoldo López, máximo líder da Vontade Popular, está em uma prisão militar desde 18 de fevereiro, também por promover a violência ligada aos protestos.

[SAIBAMAIS]Rodríguez explicou que o Sebin realizará a "respectiva apresentação (de Ceballos) ao tribunal". María Machado e Leopoldo López são os principais promotores da "Saída", a estratégia de ocupar as ruas da Venezuela para obter o fim do governo de Nicolás Maduro. López, acusado inicialmente de homicídio e terrorismo, foi detido por ordem da Procuradoria sob a acusação de "incêndio intencional, instigação pública, dano à propriedade pública e formação de quadrilha". Machado é acusada pelos deputados chavistas de "instigação ao crime, traição à pátria e homicídio".

A Venezuela vive desde o início de fevereiro um período de agitação social que já deixou 30 mortos e 400 feridos. As manifestações contra o governo de Maduro apontam diretamente para a inflação fora de controle, a falta de produtos básicos e a alta criminalidade no país. Na quarta-feira, dezenas de moradores do distrito de Chacao - foco da oposição no leste de Caracas - protestaram contra a presença da Guarda Nacional na região, determinada diretamente por Maduro para acabar com as manifestações.

Com a chegada da noite, a Praça Altamira de Chacao foi ocupada por cerca de 500 pessoas, que fizeram uma corrente humana e lembraram os mortos nos protestos. "Não acredito que o povo esteja cansado de protestar. Vou permanecer nas ruas por meses se for preciso (...). Acredito que as manifestações estão tomando outra projeção e outras pessoas estão vindo (...), gente que não é estudante", disse à AFP Vilma Molina, uma pedagoga de 53 anos.