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Estado de Minas

Premiê ucraniano viaja ao leste do país para tentar resolver a crise

A declaração foi feita horas depois que o presidente Obama alertou que uma escalada russa na Ucrânia provocará novas sanções contra Moscou


postado em 11/04/2014 10:55 / atualizado em 11/04/2014 15:49

Donetsk - O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, viajou nesta sexta-feira para o leste do país para tentar buscar uma saída para a insurreição de milhares de ativistas pró-russos, em um contexto de crescente tensão entre a Rússia e o Ocidente.

Yatseniuk fez uma visita de algumas horas a Donetsk, uma das duas cidades de língua russa no leste, onde milhares de separatistas ocuparam prédios públicos.

Os últimos episódios de tensão levam a crer que o governo russo esteja pronto para uma intervenção. A Otan indicou que Moscou tem cerca de 40.000 homens mobilizados perto do território ucraniano e o presidente Vladimir Putin se comprometeu a defender "a todo custo" as populações russas da ex-URSS.

Os ativistas pró-russos, alguns deles armados, ocupam desde domingo o prédio da administração regional de Donetsk e a sede dos Serviços de Segurança (SUB) em Lugansk. Essas cidades estão a poucos quilômetros da fronteira com a Rússia.

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Afirmando não "haver caminho para a força", o premiê Yatseniuk ofereceu garantias para que os separatistas deixem os locais ocupados.

'Federalização' contra 'descentralização'

Além disso, o primeiro-ministro se comprometeu a realizar revisões constitucionais para reforçar o poder das administrações locais, que hoje são nomeadas por Kiev.

Mas os separatistas, com o apoio de Moscou, pedem que a Constituição seja revisada para fazer da Ucrânia uma federação, uma ideia rejeitada por Kiev, que se recusa a ir além da "descentralização".

Yatseniuk não se reuniu diretamente com os insurgentes, mas Rinat Akkmetov, o homem mais rico do país e que exerce grande influência na região, participou das discussões e tem servido de intermediário.

Kiev e Washington acusam os serviços secretos russos de estarem por trás da instabilidade no leste da Ucrânia, mas o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, garantiu nesta sexta que Moscou "não tem militares ou agentes" na região.

E, retomando a guerra de palavras, Lavrov denunciou "a atual incitação a sentimentos anti-Rússia que coincide com o aumento do racismo e da xenofobia em muitos países europeus, com o aumento do número de grupos radicais e com o fechar de olhos para o fenômeno do neonazismo, na Ucrânia e em outros lugares".

A declaração foi feita horas depois de o presidente americanom, Barack Obama, ter alertado que uma escalada russa na Ucrânia pode provocar novas sanções contra Moscou.

Respeito aos compromissos

A agitação no leste da Ucrânia tem suscitado temores de uma repretição do que aconteceu na Crimeia, península ucraniana no Mar Negro anexada à Rússia em março.

Kiev acusa Moscou de tentar "desmembrar" o país e inviabilizar a eleição presidencial programada para 25 de maio. Os favoritos Pa Presidência são, de fato, pró-europeus, determinados a aproximar os 46 milhões de ucranianos à União Europeia.

A questão muito sensível do fornecimento de gás russo também entra no debate.

A UE lembrou à Rússia, que fornece cerca de um quarto de seu gás, "seu dever de respeitar seus compromissos", depois de Vladimir Putin ter exigirdona quinta-feira o pagamento por parte dos europeus da dívida de gás da Ucrânia para que o seu fornecimento não seja ameaçado.

Bruxelas teve o cuidado de enfatizar que as compras europeias de gás "contribuem com cerca de 50% da receita do orçamento federal russo", e o presidente russo por fim baixou o tom, garantindo que os compromissos firmados serão cumpridos.

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