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Estado de Minas

Linchamentos na Argentina fogem cada vez mais do controle

Diante da criminalidade em escalada, e com a impressão de que o Estado é incapaz de conter a violência, cidadãos recorrem à justiça sumária. Linchamentos colocam em xeque a ação do governo de Cristina Kirchner


postado em 22/04/2014 06:00

Policial exibe armas apreendidas em megaoperação contra o crime, na capital: (foto: AFP)
Policial exibe armas apreendidas em megaoperação contra o crime, na capital: (foto: AFP)

Frente ao crescente descrédito nas instituições estatais na Argentina, a presidente Cristina Kirchner se vê forçada a lidar não apenas com protestos e greves gerais, como na semana passada, mas também com o descontrole da segurança nacional, que leva os cidadãos a agir com as próprias mãos. Nas últimas semanas, foram registrados 12 casos de linchamento em diversas cidades. O evidente descontentamento popular com a queda do poder aquisitivo, a elevada taxa de inflação e a falta de confiança no governo colocam em xeque o poder público. A organização de direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu uma ação imediata do poder público. “Trata-se da aplicação de uma pena cruel, degradante e desnumana”, condenou a AI, em comunicado. Na província de Buenos Aires, a mais populosa do país, o governador Daniel Scioli decretou estado de emergência para o período de um ano, devido ao alto índice de criminalidade.

“As pessoas pensam, mesmo inconscientemente, que, se o Estado não as protege, se as instituições estão caducas, se a polícia não funciona como deveria, é preciso assumir o poder delegado ao Estado e cuidar de si mesmo, fazendo justiça com as próprias mãos”, explica Miguel Chalub, psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e da UERJ. Um estudo realizado pela consultoria D’Alessio IROL, divulgada no começo do mês, indica que 29% dos argentinos acreditam que as agressões contra criminosos são “a única forma de fazer justiça”. Ao mesmo tempo, 41% admitem que os incidentes causam “mais violência por parte dos delinquentes”, e mais de 70% consideram que é preciso ampliar a oferta de educação e empregos para combater a insegurança.

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O pesquisador de Estudos Organizacionais e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, compara a ação de justiceiros na Argentina com a vista no Brasil nos últimos meses: “Lá, a situação é muito mais profunda”. A sensação de que o Estado não é capaz de responder aos problemas da população compromete a governabilidade, gerando um “clima de quase anomalia social”, descreve Alcadipani . “Isso acontece porque as instituições não estão mais funcionando, há uma crise econômica gravíssima e um rompimento do tecido social. As pessoas estão fazendo justiça com as próprias mãos porque praticamente não veem governo na Argentina.”

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