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Estado de Minas

Oposição inicia "batalha final" na Tailândia; governo reforça policiamento

O movimento opositor é apoiado pela elite ligada ao palácio real, que considera o "clã Shinawatra" como uma ameaça para a monarquia


postado em 09/05/2014 10:28

Bangcoc - Milhares de manifestantes tailandeses iniciaram nesta sexta-feira (9/5) a "batalha final" contra o governo, um confronto que deixou alguns feridos durante um ataque frustrado contra um prédio da polícia. Durante o incidente no Clube da Polícia, cinco pessoas ficaram feridas, segundo o centro de emergências.

O secretário de Segurança do governo interino, Paradorn Pattanatabut, confirmou quatro feridos. Ele disse que as forças de segurança utilizaram jatos de água e gás lacrimogêneo. Outros manifestantes atacaram as emissoras de televisão. Alguns conseguiram entrar nas instalações do novo canal público, mas sem prejudicar as transmissões.

Centenas de policiais foram mobilizados nas ruas de Bangcoc, ante os temores de confrontos violentos(foto: Athit Perawongmetha/Reuters)
Centenas de policiais foram mobilizados nas ruas de Bangcoc, ante os temores de confrontos violentos (foto: Athit Perawongmetha/Reuters)


Os manifestantes, que protestam contra um gabinete fragilizado depois da destituição da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, seguiram em passeata, comandada por Suthep Thaugsuban, até a sede do governo, esvaziada há meses justamente pelos reiterados protestos. "Dormiremos aqui esta noite", disse o ex-primeiro-ministro Thaugsuban (quando a oposição permaneceu no poder entre 2008 e 2010), conhecido por suas declarações 'bombásticas', mas nem sempre realistas. "Pedimos às pessoas no poder que cooperem e se livrem dos vestígios Thaksin", afirmou, em referência ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, irmão da chefe de Governo destituída, completou o líder opositor.

Ao mesmo tempo, os manifestantes construíam barricadas e um acampamento. "Retomaremos o poder soberano e vamos instaurar um governo do povo", afirmou Suthep. Centenas de policiais foram mobilizados nas ruas de Bangcoc, ante os temores de confrontos violentos. A atual crise política provocou 25 mortes em seis meses. Mas a manifestação desta sexta-feira não teve o número expressivo de manifestantes dos protestos convocados em dezembro e janeiro.

Ao mesmo tempo, o movimento dos 'Camisas Vermelhas', leal à família Shinawatra, convocou uma grande manifestação para sábado na capital. "Estamos dispostos a lutar", afirmou o líder do movimento, Kwanchai Pripana, que prometeu não recorrer à violência.

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O Tribunal Constitucional, acusado pelo grupo de integrar "uma coalizão de elites" monárquicas contra o governo, destituiu na quarta-feira a contestada primeira-ministra Yingluck Shinawatra por abuso de poder. Além disso, uma comissão anticorrupção a declarou culpada na quinta-feira de negligência por um controverso programa de subsídios aos setor do cultivo de arroz. No entanto, um governo provisório, com quase 20 ministros que "sobreviveram" à destituição de Shinawatra, permanece no poder, apesar de muito fragilizado.

O "golpe de Estado judicial" contra o Executivo, aguardado há várias semanas, é parcial, mas os manifestantes querem aproveitar ao máximo o momento de fragilidade do governo interino. O movimento opositor é apoiado pela elite ligada ao palácio real, que considera o "clã Shinawatra", que venceu quase todas as eleições desde 2001, como uma ameaça para a monarquia, quando o rei Bhumibol Adulyadej tem 86 anos.

Os manifestantes querem a instalação de um "Conselho do Povo" não eleito, com o objetivo de acabar com a influência de Thaksin Shinawatra, que foi destituído por um golpe de Estado em 2006. Shinawatra, no exílio, era acusado de dirigir o governo da irmã. Desde o golpe contra Thaksin, o país vive em crise permanente e o ex-premier é considerado o grande fator de divisão na Tailândia.

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