Mundo

Líder paramilitar declara guerra a grupos islâmicos no leste da Líbia

Uma unidade aérea liderada por Haftar bombardeou posições de grupos islâmicos em Benghazi, que responderam com disparos de canhões antiaéreos

Agência France-Presse
postado em 17/05/2014 17:32
Bengasi - O general Khalifa Haftar, chefe de uma força paramilitar na Líbia, declarou neste sábado (17/5) guerra aos grupos islâmicos em Benghazi, no leste do país, em um movimento que o governo qualificou de tentativa de golpe de Estado.

Haftar, um general da reserva que participou da revolta contra o regime de Muammar Kadhafi em 2011, lançou na sexta-feira uma operação contra grupos que qualificou de "terroristas" em Benghazi, feudo de numerosas milícias islâmicas muito bem armadas.

Uma unidade aérea liderada por Haftar bombardeou posições de grupos islâmicos em Benghazi, que responderam com disparos de canhões antiaéreos. O confronto deixou 37 mortos e 139 feridos.

[SAIBAMAIS]O Exército regular líbio reagiu declarando "Benghazi e seus arredores zona de exclusão aérea até nova ordem".

"As unidades do Exército (...) e as formações de revolucionários (ex-rebeldes) terão como alvo qualquer avião que sobrevoar a cidade", declarou um comunicado oficial.

Leia mais notícias em Mundo

O presidente do Congresso Geral Nacional (Parlamento), Nuri Abu Sahmein, afirmou que a ofensiva é "uma ação sem o aval do Estado e uma tentativa de golpe". "Todos os que participaram deste tentativa de golpe de estado serão perseguidos pela justiça".

Segundo o general Haftar, "a operação continuará até a limpeza de Benghazi de seus terroristas".

Um porta-voz dos paramilitares, coronel Mohamed Hijazi, pediu à população dos bairros de Guewercha e Sidi Fradj, no oeste e sul da cidade, que abandonem suas casas diante do risco de ataques.

Os dois bairros são conhecidos bastiões de grupos islâmicos - incluindo o Ansar Ashariaa - que ocupam bases militares e fazendas na região.

Oriundo do leste da Líbia, o general Haftar desertou do Exército de Kadhafi no final dos anos 80 e viveu durante 20 anos nos Estados Unidos antes de regressar a seu país, durante a revolta de 2011.

Devido a seu longo exílio nos EUA, Haftar é acusado regularmente de ser um "agente dos americanos".

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação