Agência France-Presse
postado em 04/06/2014 13:27
Cidade do Vaticano - O jornal do Vaticano destaca em seu suplemento mensal feminino de junho as reações de mulheres católicas à "revolução sexual" posterior a 1968, que, lamenta, "deixou muitos feridos" e provocou uma intervenção crescente do Estado nas escolhas familiares. No suplemento inédito do ;Osservatore Romano;, a coordenadora do caderno, a historiadora Lucetta Scaraffia, reconhece de cara que Igreja foi considerada a "inimiga do sexo" porque era contrária à "revolução sexual" que prometia a todos "a felicidade através do prazer"."A revolução sexual deixou muitos feridos em terra", afirma a historiadora, que faz um balanço negativo: entre as vítimas estão as jovens "pouco protegidas pelo entorno social", as mulheres que "não conseguem realizar o sonho da maternidade" e as "solteiras que têm que enfrentar, a cada dia, sua solidão". "Em vários países foi uma nova oportunidade para o Estado entrar com peso na vida dos seres humanos, decidindo no lugar dos indivíduos se ter e em que momento ter filhos, em função das exigências econômicas e sociais", afirma Scaraffia.
Um artigo do suplemento tem como título "Quando o Estado guia as escolhas em termos de procriação". A edição tem outro texto com o título "Pesquisa entre as adolescentes que buscam no sexo um antídoto para o vazio" e uma reportagem sobre um padre romano que ajuda as prostitutas menores de idade. Para contra-atacar a ideia de que a religião católica é "santarrona" e contrária ao sexo, o suplemento publica um artigo sobre o Cântico dos Cânticos - grande texto poético da Bíblia que trata de dois amantes, que se procuram avidamente e clamam seu amor -, assinado pelo cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifical de Cultura.
Apesar da frequência das condenações à "revolução sexual" e às políticas para a família nos países ocidentais nos meios oficiais do Vaticano, esta é a primeira vez que o jornal do papa dedica uma edição do suplemento com o ponto de vista feminino sobre o tema. Várias mulheres jornalistas do Osservatore Romano criaram há dois anos, com o apoio do papa Bento XVI, este suplemento mensal de quatro páginas, "Donne, chiesa, mondo" ("Mulheres, Igreja, mundo"), para dar voz às mulheres pouco ouvidas na Igreja.