Mundo

Rússia ameaça cortar gás fornecido à Ucrânia após fracasso de negociações

A situação pode agravar a maior crise no continente europeu desde o fim da Guerra Fria

Agência France-Presse
postado em 15/06/2014 22:55
Kiev - A Rússia ameaçou cortar o gás fornecido à Ucrânia nesta segunda-feira às 06h00 GMT (03h00 de Brasília) após o fracasso das negociações de última hora em Kiev, o que pode prejudicar o fornecimento para a Europa e agravar a maior crise no continente desde o fim da Guerra Fria.

"Não chegamos a um acordo e é pouco provável que nos reunamos novamente. Já estamos no avião" para voltar a Moscou, disse à AFP por telefone Serguei Kuprianov, porta-voz da gigante russa do gás Gazprom, após as negociações realizadas em Kiev com a mediação da União Europeia.

A Gazprom deu até às 06h00 GMT de segunda-feira (03h00 de Brasília) para que Kiev pague uma dívida de 1,95 bilhão de dólares.

"Se não recebermos o pagamento até as 10h00 (06h00 GMT, 03h00 de Brasília), não vamos fornecer mais gás", acrescentou Kuprianov.


[SAIBAMAIS]O fornecimento de gás russo para a Europa - quase a metade passa pelo território ucraniano - corre o risco de ser afetado, como aconteceu durante os conflitos anteriores relacionados ao gás, em 2006 e 2009.

As autoridades ucranianas e europeias disseram que ainda esperam um compromisso.

"Esperamos que a economia e o bom senso prevaleçam sobre a política", declarou à imprensa Andrei Kobolev, chefe da companhia pública ucraniana Nafrogaz.

"Vamos tentar nos reunir novamente, o mais rápido possível", indicou uma fonte europeia.

Kiev recusou o aumento do preço estabelecido por Moscou depois da chegada ao poder de dirigentes pró-ocidentais no fim de fevereiro, em consequência da queda do presidente pró-russo Viktor Yanukovytch. Os 1.000 metros cúbicos de gás passaram de 268 para 485 dólares, um preço sem equivalente na Europa. Em sua "última oferta", Moscou propôs 385 dólares.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, denunciou neste domingo "a arrogância" de Kiev, que "rejeita um compromisso razoável", o que seria explicado, segundo ele, pela ingerência de um "terceiro Estado".

Após a esperança de um relaxamento na tensão gerada pelos primeiros contatos entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o novo chefe de Estado ucraniano, Petro Poroshenko, o tom subiu entre Kiev e Moscou neste final de semana.

Lei marcial no leste?


O presidente pró-ocidental ucraniano prometeu uma "resposta adequada" aos separatistas após o ataque contra o avião derrubado em Lugansk, deixando 49 mortos, o mais violento contra o Exército ucraniano desde o início de uma operação militar no leste separatista, no dia 13 de abril, deixando mais de 300 mortos.

A imposição da lei marcial no leste rebelde "será abordada" na segunda-feira durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa convocada por Poroshenko, indicou neste domingo o ministro ucraniano da Defesa, Mikhailo Koval.

Poroshenko havia apresentado na semana passada a Vladimir Putin seu plano de paz, fazendo nascer a esperança de um entendimento.

Os Estados Unidos reafirmaram na sexta que a Rússia havia fornecido aos separatistas do leste da Ucrânia tanques e lança-foguetes, que passaram sem problemas pela fronteira entre ambos os países.

Putin insultado


As negociações em torno da questão energética são realizadas em um contexto extremamente tenso depois dos incidentes de sábado diante da embaixada russa na Ucrânia, durante uma manifestação para protestar contra o ataque mortal de Lugansk.

A exibição de um vídeo no domingo mostrando o ministro ucraniano das Relações Exteriores insultando Vladimir Putin causou indignação em Moscou.

Nessas imagens, Andrei Dechtchitsa, que chegava para acalmar a multidão, disse aos manifestantes que ia exigir que a Rússia se retirasse da Ucrânia e chama Putin de "filho da p...", repetindo a gentileza gritada em coro por torcedores futebol há algumas semanas.

Autoridades russas pediram que o presidente ucraniano destitua Dechtchitsa.

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