O rei Juan Carlos, de 76 anos, um dos principais responsáveis pelo retorno da democracia à Espanha após a ditadura franquista (1939-1975), mas com uma imagem abalada nos últimos anos por vários escândalos, surpreendeu o país ao anunciar em 2 de junho a decisão de abdicar.
[SAIBAMAIS]Seu filho, de 46 anos, usando uniforme de gala militar, será proclamado como novo rei em uma cerimônia diante de deputados e senadores em 19 de junho, sem a presença de convidados estrangeiros nem cerimônia religiosa.
Sua esposa, a princesa Letizia, de 41 anos, será a primeira plebeia a virar rainha da Espanha, e a pequena Leonor, com apenas 8 anos, passará a ser a princesa herdeira mais jovem da realeza europeia.
Uma vez proclamado rei, presidirá um desfile militar e cruzará de carro o centro de Madri até o Palácio Real, onde, no balcão, junto à esposa e aos pais, saudará seus cidadãos.
Será o único momento em que o rei Juan Carlos será visto. Ele não irá ao Congresso para não ofuscar o momento de seu filho.
Ele também não estará na recepção no Palácio Real, onde se encontrará com 2.000 convidados e embaixadores estrangeiros.
Este processo sucessório é inédito na Espanha desde a transição democrática iniciada no país com a morte do ditador Francisco Franco, em 20 de novembro de 1975, e liderada por Juan Carlos.
No trono, seu filho terá a difícil missão de renovar uma monarquia desacreditada e de manter a união nacional ameaçada pelo separatismo na Catalunha e, em menor medida, no País Basco.
Motivo de esperança para uma monarquia desgastada e questionada pela metade dos espanhóis, segundo pesquisas, a popularidade de Felipe se mantém alta, apesar de sua margem de manobra ser estreita em um país onde a crise econômica, o elevado desemprego e a corrupção corroeram a confiança cidadã em suas instituições.
"Este país precisava de ar fresco, uma nova energia. O rei não tem capacidade para mudar nada, mas pode reunir, pode acompanhar, pode estimular", analisa José Apezarena, autor de um livro sobre o novo casal real publicado recentemente.