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Estado de Minas

Centenário: I Guerra Mundial foi impulsionada pela Revolução Industrial

Impulsionado pela Revolução Industrial, o conflito tornou-se uma das maiores carnificinas da história. Pela primeira vez, armas químicas, tanques e bombardeios aéreos foram empregados nas batalhas


postado em 06/07/2014 07:00

Soldados se movem por trincheira durante a Batalha de Verdun, no leste da França: ao menos 1,3 milhão dos 8,4 milhões de militares franceses foram mortos na Primeira Guerra Mundial (foto: AFP - 1/1/1916)
Soldados se movem por trincheira durante a Batalha de Verdun, no leste da França: ao menos 1,3 milhão dos 8,4 milhões de militares franceses foram mortos na Primeira Guerra Mundial (foto: AFP - 1/1/1916)


O mundo tinha acabado de passar por uma série de transformações dramáticas — os efeitos da Segunda Revolução Industrial ainda se expandiam pela Europa e serviram de munição para um dos conflitos mais sanguinários da história. Em caráter inédito, aviões foram utilizados em duelos aéreos, armas químicas acabaram empregadas como fator de dissuasão e tanques apoiaram os exércitos nas grandes batalhas. Em 28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, deflagrou a Primeira Guerra Mundial, que se estendeu até as 11h de 11 de novembro de 1918, com a assinatura do armistício. De um lado, potências como a Rússia, o Império Britânico, a França, a Itália, os Estados Unidos e o Japão. De outro, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, o Império Turco-Otomano e a Bulgária. A herança foi maldita: 8,5 milhões de mortos; 21,1 milhões de feridos; 7,7 milhões de prisioneiros e de desaparecidos; impérios em ruínas. Em entrevista ao Correio, especialistas renomados afirmaram que o poderio da indústria potencializou a destruição e as baixas no front.

“Baseada no aço e no ferro, nas comunicações e nos transportes, a Segunda Revolução Industrial, na década de 1880, criou um poder de fogo nunca antes visto”, explicou Jay Winter, professor de história pela Universidade de Yale (EUA). De acordo com ele, a Primeira Guerra Mundial foi dominada pela artilharia. “As mudanças econômicas forneceram aos combatentes mais munições do que jamais se teve notícia. Cerca de 80% dos mortos na guerra foram vítimas de disparos de artilharia. Entre aqueles que morreram, metade não teve túmulo, pois a artilharia os sepultou em cemitérios improvisados”, acrescentou Winter. Muitos corpos nunca foram encontrados. “O genocídio armênio de 1915, conduzido pelos turco-otomanos contra uma minoria supostamente desleal, mostrou a face da guerra total em toda a sua crueldade”, acrescentou Winter, referindo-se ao episódio que começou em 24 de abril e resultou em 1,5 milhão de mortos.

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Margaret MacMillan, historiadora canadense e professora da Universidade de Oxford, admite que a Primeira Guerra Mundial mostrou como as novas tecnologias podem ser adaptadas para a guerra. “Antes dela, havia balões, zepelins e aeronaves civis. Os militares logo ficaram interessados no poderio aéreo”, disse. Segundo ela, as armas químicas também se revelaram muito importantes. “Além de refletirem o estado avançado da ciência e da tecnologia, elas representaram uma tentativa de romper o impasse no front ocidental. Havia duas forças imensas lutando, que não podiam avançar, por causa do poder das linhas de defesa. Os atores bélicos usaram vários tipos de recursos para acabar com esse impasse. Pela primeira vez, empregaram tanques e armas químicas”, disse MacMillan. Granadas de 26mm recheadas de gases venenosos foram lançadas pela França contra os alemães, em agosto de 1914. Oito meses depois, a Alemanha despejou gás cloro contra a Frente Ocidental, em Ypres, no oeste da Bélgica.

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