Ferguson - O governador de Missouri, Jay Nixon, ordenou nesta segunda-feira (18/8) a mobilização da Guarda Nacional para ajudar a polícia a restabelecer a ordem na cidade de Ferguson, abalada há vários dias por distúrbios relacionados com a morte de um jovem negro em uma ação policial. Os protestos e a violência não param em Ferguson desde que, em 9 de agosto, um policial branco matou a tiros o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, que estava parado no momento.
Entre os atos criminosos que começaram três horas antes do toque de recolher diário a partir da meia-noite, Nixon citou tiros contra a polícia, tiros contra um civil, o uso de coquetéis molotov, saques, uma tentativa coordenada de bloquear estradas e danos a pelo menos quatro estabelecimentos. De acordo com Ronald Johnson, novo chefe de polícia de Ferguson, os atos foram resultado de uma "agressão preparada".
O policial afirmou em uma entrevista coletiva que pelo menos dois manifestantes foram feridos a tiros, mas não revelou o número de detenções. "Estávamos protestando pacificamente quando começaram a usar gás lacrimogêneo do nada. Sei o que é gás lacrimogêneo, o rosto ardia", disse Lisa Williams, ex-soldado do exército americano.
Presença do governo federal
Diante da violência crescente, o governo federal decidiu ter mais envolvimento na investigação. Nesta segunda-feira o secretário de Justiça, Eric Holder, informará ao presidente Barack Obama sobre a violência em Ferguson, anunciou a Casa Branca. "Nosso objetivo imediato é garantir a segurança dos moradores de Ferguson, o fim dos saques e do vandalismo, e que as pessoas que vivem na comunidade confiem que a justiça será feita", afirmou uma conselheira de Obama, Valerie Jarrett. Agentes do FBI estão interrogando em Ferguson testemunhas do tiroteio que matou Michael Brown.
Seis ferimentos provocados por tiros
O Departamento de Justiça anunciou no domingo que solicitará uma segunda necropsia do cadáver Brown, em consequência das "circunstâncias extraordinárias" de sua morte. Duas investigações estão em andamento sobre o caso Brown e as controversas circunstâncias de sua morte por tiros disparados por um policial branco. Uma é coordenada pelas autoridades locais e a outra pelo FBI.
A polícia afirma que Brown morreu depois de reagir de forma agressiva e resistir à detenção. Mas Dorian Johnson, que acompanhava Brown quando ele foi baleado, afirmou que o jovem foi atingido quando estava com as mãos para o alto. De acordo com o jornal New York Times, que teve acesso a um relatório preliminar de uma necropsia solicitada pela família do jovem, Brown recebeu pelo menos seis tiros.
O corpo de Brown apresenta dois tiros na cabeça e quatro balas no braço direito, segundo o NYT, que cita o médico Michael Baden, responsável pela análise. A polícia divulgou uma gravação de um roubo ocorrido 20 minutos antes da detenção e morte de Brown, que mostra um jovem negro com altura similar à vítima roubando maços de cigarro em uma loja. A família se declarou "escandalizada" com o que considera versões manipuladas divulgadas pela polícia para, segundo denuncia, tentar "responsabilizar a vítima e desviar a atenção".