Jornal Correio Braziliense

Mundo

Iraque lança operação militar para libertar cidade cercada por jihadistas

A ofensiva acontece após um chamado do secretário de Estado americano, John Kerry, por uma coalizão mundial para combater os "insurgentes genocidas"

Kirkuk - O Exército iraquiano e as milícias xiitas lançaram neste sábado uma grande ofensiva para romper o cerco imposto há mais de dois meses pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI) a uma cidade turcomana xiita ao norte de Bagdá, segundo autoridades. A ofensiva acontece após um chamado do secretário de Estado americano, John Kerry, por uma coalizão mundial para combater os "insurgentes genocidas", e a advertência do rei da Arábia Saudita de que o Ocidente será o próximo alvo do EI se medidas não forem tomadas.

Da operação para derrubar o bloqueio jihadista a Amerli participavam efetivos das Forças Armadas iraquianas, milhares de milicianos xiitas e peshmergas (soldados curdos). O Ministério da Defesa do Iraque também anunciou hoje ter recebido helicópteros de ataque russos Mi-28 para combater os milicianos, sem especificar o número de aparelhos ou o valor pago pelos mesmos.

A localidade está cercada desde que o EI lançou uma grande ofensiva no Iraque em junho. Os moradores enfrentam a escassez de alimentos e água e são ameaçados por serem xiitas, o que os jihadistas consideram uma heresia, e por sua resistência aos milicianos, que impuseram duros castigos em outros lugares.

Leia mais notícias em Mundo


O EI declarou um "califado" que abrange amplas áreas de território sob seu controle em Iraque e Síria. Os Estados Unidos lançaram uma campanha de ataques aéreos seletivos contra posições do EI no Iraque no começo do mês, e estudam estendê-la à vizinha Síria, onde a guerra civil ganhou um novo perfil após a incursão no conflito do EI, entre outros.

Este grupo sunita ultrarradical assassinou centenas de pessoas nos dois países, por meios que incluem execuções em massa e decapitações.

Também vendeu 27 mulheres da minoria religiosa yazidi do norte do Iraque, por mil dólares cada, a soldados sírios, após obrigá-las a se converterem ao islã, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O avanço do grupo também aumentou os temores na região. O rei saudita, Abdullah, advertiu que ele "alcançará a Europa em um mês e a América no mês seguinte" se não for contido.

"Peço que transmitam esta mensagem a seus dirigentes: deve-se combater o terrorismo com a força, a razão, e com rapidez", advertiu o monarca aos novos embaixadores na Arábia Saudita.