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Estado de Minas

Indígenas paraguaios denunciam plantações de maconha em suas terras

O líder indígena disse que um emissário tinha sido enviado a Assunção para conversar com autoridades do Ministério do Interior


postado em 09/09/2014 20:50 / atualizado em 09/09/2014 22:29

Assunção - Indígenas paraguaios da comunidade Aché-guayakí advertiram nesta terça-feira que atacarão com arcos e flechas os camponeses que entrarem em suas terras com o objetivo de desmatar para vender árvores e plantar maconha.

O chefe indígena do departamento de Canindeyú, 400 km a nordeste de Assunção, explicou à AFP que os líderes da comunidade haviam alertado as autoridades da capital para que evitassem a invasão de sua terra, com uma superfície estimada em cerca de 6.400 hectares. "É a última advertência que fazemos para que saibam da gravidade da situação", disse o cacique da região, Martín Achipurangi - conhecido como Kuetuvi -, em uma entrevista por telefone concedida à AFP.

O líder indígena disse que um emissário tinha sido enviado a Assunção para conversar com autoridades do Ministério do Interior. "Aqui não dão atenção a nós, nem a Procuradoria nem a Polícia", lamentou. Em sua propriedade vivem cerca de 60 famílias, mais de 300 pessoas, que se dedicam ao cultivo de produtos de alimentação básica, à caça e à pesca.

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A ONG internacional World Wildlife Fund enviou técnicos há uma semana para realizar um levantamento da reserva indígena e encontraram cultivos de maconha, restos de carvão e pedaços de madeira, provavelmente deixados por caminhões que carregavam toras. "Estamos dando um prazo de três semanas para que as autoridades ajam. Se isso não acontecer, vamos usar nossos próprios meios para defender nossa comunidade", ressaltou Achipurangi.

O cacique ordenou que os homens fabriquem arcos e flechas, inclusive para crianças. "Não podemos tolerar mais esta situação", disse. Os aché-guayakí foram os últimos indígenas a deixar a selva entre os anos 60 e 70, na leste do Paraguai. Grande parte de sua população morreu vítima de epidemias e assassinatos e hoje restam apenas cerca de 2.000 pessoas.

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