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Sete pessoas são queimadas vivas por acusação de bruxaria na Tanzânia

Os acusados foram linchados na noite de segunda-feira (6/10) em um povoado de Murufiti, Oeste de Dar es Salam, a capital econômica do país

Agência France-Presse
postado em 10/10/2014 11:25
Uma multidão queimou vivas sete pessoas e incendiou cerca de 20 casas no oeste da Tanzânia por acusação de bruxaria, anunciou nesta sexta-feira (10/10) a polícia local. O chefe da polícia para a região de Kigoma, Jafari Mohamed, informou que de 23 detidos, entre os quais figuram chefes locais e um curandeiro, compareceram ante a justiça acusados de cometer assassinato.

Mas antes que a justiça pudesse agir, os acusados foram linchados na noite de segunda-feira em um povoado de Murufiti, oeste de Dar es Salam, a capital econômica da Tanzânia. "As vítimas foram atacadas e queimadas vivas por uma multidão de habitantes que os acusavam de praticar bruxaria", contou à AFP Jafari Mohamed, acrescentando que cinco dos executados tinham mais de 60 anos.

"Encontrei o corpo de minha mãe queimado, do lado de fora de nossa casa, e o do meu pai, também queimado, dentro de casa", contou um dos moradores ao jornal Mwananchi.

Em 2012, uma ONG tanzaniana, o Centro Jurídico e dos Direitos Humanos (LHRC) afirmou que 3 mil pessoas acusadas de bruxaria, principalmente idosas, foram linchadas entre 2005 e 2011 no país. "Uma média de 500 pessoas da terceira idade, em particular idosas e com olhos avermelhados, perdem a vida todos os anos na Tanzânia, acusadas de bruxaria", afirmou a LHRC em um informe.



Segundo a ONG, as crenças populares afirmam que ter olhos avermelhados é um sinal de bruxaria, quando, na realidade, geralmente se trata de alguma irritação ocular. As mesmas crenças atribuem à bruxaria as desventuras e desastres que algumas pessoas ou a comunidade em seu conjunto sofrem.

Outras vítimas deste tipo de crença, muito disseminada nas regiões fronteiriças entre a Tanzânia e Burundi, são os albinos.

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