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Estado de Minas

Farc e governo colombiano acertam retomar processo de paz em 10 de dezembro

"As delegações do governo nacional e as Farc consideram superada a crise e informam que concordaram que o próximo ciclo de conversações", afirmou o cubano José Luis Ponce


postado em 03/12/2014 16:54 / atualizado em 03/12/2014 18:55

A guerrilha das Farc e o governo colombiano chegaram a um acordo nesta quarta-feira (3/12), em Havana, para retomar o processo de paz, que será reiniciado no próximo dia 10 após ser interrompido pelo sequestro de um general, anunciaram os representantes dos países avalistas do processo, Cuba e Noruega.

"Consideramos superada a crise e informamos que acertamos que a próxima rodada de conversações ocorrerá entre 10 e 17 de dezembro, com o propósito de avançar no tema da desescalada do conflito", destacaram as partes em um comunicado conjunto lido pelo diplomata cubano José Luis Ponce, cujo país é fiador do processo de paz, juntamente com a Noruega.

A decisão de avançar na desescalada implica em que no próximo ciclo se implantará uma "subcomissão" sobre o desarmamento que deve preparar o "fim do conflito", integrada por líderes militares das duas partes. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, saudou o acordo alcançado por delegados de seu governo e da guerrilha das Farc para retomar os diálogos de paz em Cuba, interrompidos pela captura de um general, já libertado.

"Comemoro que na mesa de Havana tenham entrado em acordo para retomar as conversações a partir de 10 de dezembro", disse o presidente em coletiva de imprensa em Bogotá, pouco após o anúncio do governo e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Delegados das duas partes haviam iniciado, nesta quarta, uma nova reunião a portas fechadas para tentar superar as disputas ocasionadas pela suspensão das negociações de paz, ordenada por Santos em 16 de novembro, depois que a guerrilha capturou um general, que libertou há três dias.

Um dos pontos de discórdia é a proposta das Farc de acertar um armistício para impedir que fatos do conflito armado colombiano causem uma nova interrupção do processo de paz, que até a captura do general havia avançado bem, embora lentamente. O incidente envolveu o general Rubén Alzate e dois acompanhantes, inclusive uma mulher, que foram libertados pelas Farc no domingo.

Na coletiva de imprensa em Bogotá, Santos destacou a importância de dar passos que contribuam para "dar confiança" e um "melhor ambiente" para avançar nas negociações, iniciadas em 19 de novembro de 2012 e que tinham avançado a passo certo, embora lento, até sua interrupção.

As partes concordaram, no encerramento da conferência, em Havana, em "estabelecer um mecanismo permanente, através dos países fiadores, para facilitar a solução de eventuais crises que possam se apresentar no futuro", declarou o diplomata norueguês Dag Nylander.

Os diplomatas dos países fiadores leram o comunicado na presença das duas delegações de paz, lideradas pelo ex-presidente colombiano Humberto de La Calle (governo) e Iván Márquez (Farc), que acertaram até agora três dos seis pontos de sua agenda. A comunidade internacional espera que as duas partes selem rapidamente um acordo que acabe o último conflito armado na América, que deixou em meio século 220 mil mortos e 5,3 milhões de deslocados.

Negociar sem cessar-fogo

As duas delegações acertaram se reunir entre 10 e 17 de dezembro, em um ciclo mais breve que o habitual, para discutir a desescalada do conflito e conformar uma "subcomissão" de gênero (no dia 15) e receber os testemunhos de uma quinta e última delegação de vítimas do conflito armado (no dia 16).

Em seguida, farão um recesso para as festas de fim do ano e retomarão as práticas em meados de janeiro, segundo o comunicado conjunto. O analista Jairo Libreros, professor da Universidade Externado da Colômbia, pensa que "um cessar-fogo bilateral é impossível no curto prazo, isto é, em 2015".

"Um armistício parcial implica desocupar diferentes zonas na Colômbia e as zonas desmilitarizadas trazem uma má lembrança por tudo o que ocorreu em Caguán (há uma década), com um agravante: o ceticismo dos colombianos com relação ao processo de paz", disse Libreros à AFP. Em Caguán - em um processo de paz anterior que não prosperou -, a desmilitarização permitiu às Farc se fortalecer militar e politicamente, segundo as autoridades.

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No entanto, um diplomata latino-americano que acompanha as negociações de paz acredita que se forem retomadas as negociações, estas poderiam avançar rapidamente, especialmente quando a subcomissão do desarmamento começar a trabalhar.

"Eu estou esperançoso em que se inicie a subcomissão para a desmobilização com militares, pois acredito que ali pode haver avanços práticos. Acho que se entendem melhor entre 'milicos' do que entre políticos", disse um diplomata à AFP, sob a condição de ter sua identidade preservada.

As conversações - nas quais Chile e Venezuela servem de "acompanhantes" - foram interrompidas, enquanto as partes discutiam o complexo tema da reparação das vítimas do conflito armado. O desarmamento é o ponto seguinte da agenda. Fica pendente o tema do mecanismo de referendamento de um eventual acordo de paz. Até agora, as partes acordaram os temas de reforma agrária, participação política e drogas ilícitas.

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