Publicidade

Estado de Minas

Chanceler brasileiro: "Execução é uma sombra na relação com a Indonésia"

Ministro Mauro Vieira reiterou que o governo brasileiro fez o que pôde para salvar Marco Archer


postado em 17/01/2015 20:16 / atualizado em 17/01/2015 20:43

Mauro Vieira não tem informações sobre o traslado do corpo de Marco Archer para o Brasil(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Mauro Vieira não tem informações sobre o traslado do corpo de Marco Archer para o Brasil (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após a confirmação de execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, na Indonésia às 15h31 (horário de Brasília) de hoje (17), o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira convocou coletiva de imprensa para informar que o embaixador do Brasil na Indonésia, Paulo Alberto da Silveira Soares, foi chamado de volta ao país "para consultas". O pedido partiu da presidente Dilma Roussef.

Segundo o próprio Mauro Vieira, convocar o embaixador para consultas é uma decisão que expressa a gravidade de um momento de tensão e dificuldade na relação dos dois países. Paulo Alberto partirá da Indonésia dentro das próximas horas. O chanceler informou ainda que o secretário-geral do Itamaraty, Sérgio Danese, reuniu-se às 17h de hoje com o embaixador da Indonésia no Brasil, Toto Riyanto, para reiterar a inconformidade do governo brasileiro, além de transmitir-lhe notas formais de protesto.

"Foi dito ao embaixador da Indonésia que os acontecimentos são uma sombra às relações bilaterais", disse Mauro Vieira. Segundo ele, ao longo do processo foram esgotados todos os recursos possíveis para evitar a execução. O chanceler reforçou que Archer recebeu toda a assistência possível da embaixada brasileira em Jacarta, e que foi atendido durante o período em que esteve preso por um advogado contratado para acompanhar o caso.

"Durante todo esse tempo recebeu visitas regulares de funcionários do consulado do Brasil em Jacarta, que o acompanharam, e esses funcionários também tiveram comunicação constante com a família. Foi, inclusive, foi possibilitada a presença de uma tia. Ela viajou à Indonésia e esteve com ele dias antes da execução".

Incertezas
Mauro Vieira disse que a execução de Archer provoca uma sombra de dúvida e animosidade nas relações bilaterais entre Brasil e o país asiático. Isso porque, informou o ministro, "o Brasil tem princípios que são caros". "Respeitamos o ordenamento jurídico indonésio e nunca discutimos o fato da acusação que sofreu o cidadão brasileiro. Mas acreditávamos que a clemência da comutação da pena seria uma das medidas esperadas".

Tentativas de diálogo
O governo da Indonésia, ao longo de quase 12 anos de prisão de Archer, manteve-se irredutível na decisão de executar o brasileiro preso em agosto de 2003 após ele tentar entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta. Os presidentes da Indonésia receberam pelo menos seis cartas do governo brasileiro, duas de Lula e quatro de Dilma Roussef. Apenas a última delas, enviada em 31 de dezembro, obteve resposta.
"Não era uma carta protocolar, mas sim uma carta de um chefe de Estado para outro, uma coisa séria para tratar de assuntos relevantes de primeira grandeza. Foram muitas cartas ao longo desses 12 anos, destinadas a pelo menos dois presidentes", contou Mauro Vieira.

Translado

Ainda não há informações sobre o translado do corpo de Acher. O processo será acertado, primeiramente, pelos representantes da família dele em Jacarta. “É a família que decide e nós não podemos dar nenhuma informação até que a própria família libere a informação. Mas está sendo dada toda a atenção e atendimento necessário", justificou o chanceler.

Jornalistas detidos
Repórteres da rede Globo tiveram os passaportes recolhidos pelas autoridades da Indonésia na tarde deste sábado (17). De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os repórteres usavam documentos de turista para trabalhar no país. A documentação foi apreendida enquanto o jornalista Márcio Gomes e um cinegrafista da emissora faziam imagens próximas à região onde são executados os fuzilamentos. Mauro Vieira garantiu, no entanto, que os profissionais estão fora de perigo e que o governo brasileiro está tomando as medidas para traze-los de volta ao país.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade