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Após morte de Abdullah, novo rei saudita aguarda chefes de Estado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viajará à Riad na terça-feira, após anunciar que encurtará sua visita oficial à Índia

Riade, Arábia Saudita - O rei Salman da Arábia Saudita deve receber neste sábado em Riad vários chefes de Estado e dignatários no dia seguinte à morte de Abdullah.

O primeiro-ministro britânico David Cameron, o presidente francês François Hollande e o chefe da diplomacia do Irã Mohammad Javad Zarif são esperados na capital saudita, assim como o príncipe Charles, filho da rainha da Inglaterra.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viajará à Riad na terça-feira, após anunciar que encurtará sua visita oficial à Índia, que se inicia no domingo.

De acordo com a Casa Branca, Obama cancelou uma visita ao Taj Mahal para expressar suas condolências "em nome do povo americano". Na sexta-feira, ele saudou Abdullah como um homem "sincero" e "corajoso". A aliança estratégica entre os dois países remonta a 1945 e foi reafirmada quando o reino saudita aderiu no ano passado à coalizão antijihadista liderada por Washington.

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Muitos são os dignitários estrangeiros que não puderam comparecer ao funeral de Abdullah, realizado na sexta-feira em Riad poucas horas depois de sua morte aos 90 anos de idade em um hospital da capital saudita onde foi internado há três semanas com pneumonia.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro do paquistanês Nawaz Sharif, o presidente sudanês Omar al-Bashir e os chefes de Estado do Golfo tiveram tempo de fazer a viagem para participar de um funeral sem pompa.

Envolto em uma mortalha creme, Abdullah foi enterrado em um cemitério público sob uma lápide modesta. Os presidentes palestino, Mahmud Abbas, e iraquiano, Fuad Masum, chegaram em Riad após este humilde funeral.

O chefe de Estado do Gabão, Ali Bongo Ondimba, foi um dos primeiros a chegar neste sábado, de acordo com a mídia oficial da Arábia Saudita.

O novo soberano Salman, de 79 anos de idade e que sofre de problemas de saúde, recebeu a lealdade simbólica dos sauditas, como é a tradição. O príncipe herdeiro Moqren estava ao seu lado, fazendo-se também beijar a mão por centenas de pessoas que juraram "obediência e fidelidade."

Cerimônias similares estão previstas para este sábado e domingo à noite. Em seu primeiro discurso como rei, Salman declarou na sexta-feira que irá manter o curso definido por seu meio-irmão falecido e os governantes antes dele.

O reino ultraconservador sunita, berço do Islã e guardião dos dois principais lugares santos muçulmanos (Meca e Medina), é o maior exportador de petróleo do mundo e um personagem-chave no Oriente Médio.

"Vamos permanecer, com a força de Deus, no caminho certo que este Estado tem seguido desde a sua fundação pelo rei Abdul Aziz bin Saud e seus filhos depois dele", declarou o rei, cuja primeira decisão foi nomear seu sobrinho e ministro do Interior, Mohammed bin Nayef, de 55 anos, como o futuro príncipe, segundo na ordem de sucessão.