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Estado de Minas

Condenado à morte, um dos estupradores de Nova Délhi não demonstra remorso

Singh admitiu ter dirigido o ônibus no qual a jovem foi estuprada, mas negou ter participado do estupro


postado em 03/03/2015 12:26

Nova Délhi, Índia - Um dos condenados à morte pelo estupro coletivo e assassinato de uma estudante no final de 2012 em Nova Délhi, que chocou a Índia e o resto do mundo, não demonstrou nenhum remorso durante uma entrevista "assustadora", explicou nesta terça-feira a diretora de um documentário.

Mukesh Singh, um dos cinco homens condenados por este crime bárbaro, considerou que a vítima não deveria estar fora de casa naquela hora da noite, durante uma entrevista acordada à cineasta britânica Leslee Udwin. "O que eu compreendi ao entrevistá-lo e o que achei mais assustador, foi a ideia e a maneira como ele vê as mulheres, que é extremamente chocante", declarou Udwin a jornalistas. "Ele não manifestou nenhum tipo de remorso, nem por um segundo durante as 16 horas (de entrevista). Muito pelo contrário. A atitude de Mukesh é dizer 'Por que estão fazendo tanto caso pelo que aconteceu? Todo mundo faz isso'", acrescentou ao apresentar seu documentário na capital indiana.

O filme "Indian's Daughter" (Filha indiana, em tradução livre) deve ser exibido no domingo em Grã-Bretanha, Índia e outros cinco países.

A estudante de fisioterapia morreu em decorrência dos ferimentos sofridos 13 dias após ter sido selvagemente atacada em um ônibus quando retornava do cinema com seu namorado, em 16 de dezembro de 2012. O crime provocou forte comoção mundial e manifestações em massa na Índia contra a inação das autoridades e a impunidade dos agressores sexuais.

A agressão pôs em evidência o elevado nível de violência contra as mulheres na Índia e deu início a um endurecimento da lei contra a violência sexual. Em sua entrevista, Singh declarou que a vítima não deveria "passear às nove da noite" e que uma "garota é muito mais responsável pelo estupro do que um garoto".

Segundo a diretora, o homem não expressou nenhum tipo de emoção ao tomar conhecimento dos ferimentos sofridos pela vítima. "Ele se comporta quase como se fosse um robô. Eu tentei de tudo, todos os truques que conhecia para que ele esboçasse alguma emoção, que uma lágrima viesse aos olhos ou que demonstrasse algum remorso", disse Udwin.

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Os parentes da vítima condenaram as palavras de Singh, que provocaram reações indignadas durante debates televisionados. "A sociedade indiana é tal que ela pensa que o estupro é normal, que o estupro faz parte da condição da mulher", afirma o sociólogo Shiv Visvanathan à AFP. "A nossa atitude em relação ao estupro é tal que responsabiliza a vítima, enquanto o homem nunca está em questão", acrescenta.

Singh admitiu ter dirigido o ônibus no qual a jovem foi estuprada, mas negou ter participado do estupro. Ele recorreu da sentença. Três outros homens foram condenados à morte, enquanto um menor envolvido na agressão foi condenado a três anos de prisão. Um outro agressor morreu na prisão antes de ser julgado.

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